Polícia escolta água em Banabuiú, no Ceará, após facção ameaçar comerciantes
Cagece leva garrafões à cidade de 17 mil habitantes depois que vendedores suspenderam as vendas por medo de represália
A Polícia Militar do Ceará passou a escoltar caminhões da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) que levam água mineral a Banabuiú, no Sertão Central, depois que ameaças de criminosos levaram os comerciantes da cidade a suspender a venda de garrafões. O município tem cerca de 17 mil habitantes e fica a 220 quilômetros de Fortaleza.
O primeiro carregamento, com cerca de mil garrafões, chegou no sábado, 31 de outubro, segundo o Diário do Nordeste. O prefeito Marcílio Coelho (PSB) disse que o transporte seria retomado na terça-feira, 3, com entregas diárias até sábado, 7. A Cagece busca os garrafões direto nos fornecedores e os leva à cidade, onde são vendidos. Segundo o prefeito, a companhia empresta dois caminhões e não responde pela comercialização do produto.
As ameaças começaram a circular há cerca de duas semanas. De acordo com a Agência Brasil, os autores se identificaram como integrantes do Comando Vermelho e condicionaram a continuidade das vendas a uma autorização do grupo, mediante pagamento de taxa. O valor cobrado não foi divulgado. O Diário do Nordeste registra que os comerciantes procuraram a polícia, foram orientados a não ceder e, com medo de represálias, pararam de vender. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) não nomeou a facção na nota que divulgou e fala em "grupo criminoso".
Moradores formaram filas na Praça da Igreja Matriz no último fim de semana para encher garrafões, em vídeos que circularam nas redes sociais.
O que a polícia já fez
Três suspeitos de integrar o braço local da facção foram presos em 22 de outubro. Com eles, a polícia apreendeu um revólver calibre .38, munições, seis celulares, um notebook e dinheiro em espécie, sem valor informado. Investigadores da Polícia Civil também identificaram o suposto mandante das ameaças. Ele não teve o nome divulgado e estaria no Rio de Janeiro. A Polícia Civil cearense trabalha com a fluminense para prendê-lo.
O policiamento na cidade foi reforçado com unidades como o Batalhão de Policiamento de Interior, a CPRaio e a Força Tática, com apoio aéreo do Ciopaer, conforme o Diário do Nordeste. O prefeito chamou a operação da Cagece de medida paliativa e afirmou que ela fica enquanto for necessário. Os fornecedores locais, disse ele a emissoras, ainda não se sentem seguros para voltar a vender, mesmo com a presença policial.
A reportagem da Agência Brasil procurou a prefeitura e não obteve retorno até a publicação daquela matéria.
Cobrança de taxa sobre o comércio local
O caso de Banabuiú não é isolado no estado. Em Groaíras, provedores de internet foram alvo de ameaças e de cortes de fibra óptica atribuídos ao Comando Vermelho, e três suspeitos foram presos. A imprensa local diz que não há confirmação de ligação direta entre os dois episódios.
O tema da cobrança de taxas por facções sobre comércio e serviços entra no debate do Congresso sobre segurança pública. O Senado aprovou nesta semana a PEC da Segurança Pública, e a Câmara avançou com o projeto que endurece a progressão de regime de reincidentes em crimes patrimoniais violentos.
Quem tiver informação sobre os autores das ameaças pode ligar para o Disque-Denúncia 181 ou escrever pelo WhatsApp (85) 3101-0181. A SSPDS garante sigilo e anonimato.