Política

Lula busca mulher civil para a Defesa; Múcio indicou Cinara Fredo

Ministro avisou que não fica no quarto mandato; Tebet e a presidente do STM também são citadas, e nada foi anunciado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo (25), procura uma mulher civil para comandar o Ministério da Defesa a partir de 2027, segundo o Jornal de Brasília. O atual ministro, José Múcio Monteiro, avisou que não continuará no cargo no quarto mandato e indicou a secretária-geral da pasta, Cinara Wagner Fredo, para sucedê-lo.

Nenhum nome foi anunciado oficialmente. A informação sobre o desejo de Múcio de deixar o governo circulou desde a terça-feira (27), quando ele foi recebido por Lula no Palácio da Alvorada, e foi repetida pelo NC News na quinta-feira (29).

Se a escolha recair sobre uma mulher, será a primeira vez que a pasta, criada em 1999, tem uma ministra.

Cinara Fredo é formada em Direito e especializada pela Escola Superior de Guerra. Segundo o Jornal de Brasília, o nome dela conta com a simpatia de Bruno Dantas, ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). O NC News registra que Múcio vê na secretária-geral alguém que conhece o funcionamento do ministério e poderia manter o diálogo com os comandos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

Quem mais está na lista

Além de Cinara, aparecem nos bastidores a presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha, e a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet. O NC News afirma que a primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, defende a indicação de uma mulher. O Palácio do Planalto não confirmou os nomes.

Lula consulta pessoas que participaram da campanha, entre elas o senador Camilo Santana (PT-CE) e o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), de acordo com o Jornal de Brasília. Os ex-ministros da Defesa Jaques Wagner, Nelson Jobim e Celso Amorim procuram esses interlocutores para defender um nome alternativo ao de Cinara. O grupo quer alguém com trânsito entre os militares e conhecimento da área.

O que espera o próximo ministro

O sucessor assume com o orçamento apertado. Nesta semana, o governo cancelou R$ 226,51 milhões em dotações da Defesa e das Forças Armadas e remanejou o dinheiro para o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e para a oferta de medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS).

O submarino nuclear da Marinha, cuja entrega foi adiada para 2038, é o programa mais exposto. A Marinha comunicou ao ministério que os cerca de R$ 1,48 bilhão previstos para o projeto no Orçamento de 2027 não bastam para o desenvolvimento. Em junho, o próprio Múcio disse em Brasília que "a Defesa brasileira é incompatível com o tamanho e as potencialidades do Brasil".

Lula também avalia trocar os comandantes das três Forças, hoje o general Tomás Paiva (Exército), o almirante Marcos Sampaio Olsen (Marinha) e o tenente-brigadeiro Marcelo Damasceno (Aeronáutica), segundo o NC News. Os nomes não foram divulgados.

O tema das Forças Armadas também chega ao Senado, que vota na terça-feira (3) a PEC da Segurança Pública, com emenda que destina recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública às Forças Armadas. Até a publicação, o Planalto não havia divulgado data para anunciar o novo ministro.