Exportações brasileiras com tarifa reduzida na União Europeia sobem 21% após acordo
MDIC aponta alta de 421% no abacate, 367% no mel e 266% no óleo de milho entre maio e setembro
As exportações brasileiras de produtos que ganharam redução ou fim de tarifa no mercado europeu cresceram 21% de maio a setembro, na comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados divulgados na quinta-feira, 29, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O período corresponde aos cinco primeiros meses de aplicação provisória do acordo entre Mercosul e União Europeia, em vigor desde 1º de maio. A informação foi publicada pela Agência Brasil.
O recorte é restrito: vale para os produtos beneficiados pelas novas preferências tarifárias, e não para todas as vendas do Brasil ao bloco. A diferença importa, porque números mais altos circularam em outubro para o total exportado à União Europeia. O Poder360 noticiou em 13 de outubro uma alta de 30,7% no mesmo intervalo, atribuída a autoridades do governo, e os dois resultados são recortes diferentes.
Quais produtos mais cresceram
Abacate, mel e óleo de milho lideraram o avanço percentual. A lista do MDIC, com a variação de maio a setembro de 2026 sobre igual período do ano anterior:
- abacates frescos: 421%
- mel: 367%
- óleo de milho: 266%
- ferrossilício-manganês: 173%
- alumínio em bruto: 107%
- óleos combustíveis: 102%
- etanol: 95,2%
- óleo essencial de laranja: 75,8%
- maçãs frescas: 29%
O ministério destacou ainda os transformadores elétricos. O Brasil não havia vendido o produto à União Europeia entre maio e setembro de 2025 e exportou US$ 39 milhões no mesmo período deste ano.
Percentuais sobre base pequena inflam o resultado, e o MDIC não divulgou, na nota, o valor em dólares de cada item. Sem esse número, não dá para saber quanto o abacate e o mel pesam na balança. O dado completo está nas tabelas de comércio exterior do próprio ministério.
O que o exportador precisa fazer
Para aproveitar a tarifa menor, o produto precisa cumprir regras de origem. O MDIC reuniu no Portal Siscomex quatro materiais: o manual de regras de origem, o de desgravação tarifária (com o cronograma de redução das tarifas), o de indicações geográficas e as tabelas de preferências tarifárias.
O acordo foi negociado por mais de duas décadas, desde 1999, e reduz ou elimina tarifas de forma gradual. Os dois blocos somam cerca de 720 milhões de pessoas e PIB combinado superior a US$ 22 trilhões, segundo a Agência Brasil. As tarifas caem de forma gradual, então os números de 2026 ainda captam só o começo desse calendário.