Política

União Brasil, MDB e PL reconhecem a vitória de Lula e se afastam da posição de Flávio

Tarcísio, Rogério Marinho e o pastor da igreja do senador também se manifestaram após a viagem aos EUA

Neste texto3 tópicos
  1. O que dizem os partidos
  2. Pastor e adversário de direita
  3. A entrada nos EUA

Partidos que estiveram ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na campanha presidencial reconheceram nesta semana o resultado do segundo turno, vencido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 25 de outubro, e se afastaram da postura do parlamentar, que não aceitou a derrota. O levantamento das manifestações foi publicado pela Agência Brasil nesta quinta-feira, 29.

O movimento ganhou ênfase depois da viagem de Flávio aos Estados Unidos e da divulgação de uma carta em que o senador se autoproclama presidente eleito, líder do Brasil e da oposição, segundo a agência.

O que dizem os partidos

O União Brasil, que integrou a base da campanha, divulgou nota assinada pelo presidente nacional da sigla, Antonio Rueda. O texto afirma que "a eleição de 25 de outubro transcorreu com lisura, e o seu resultado deve ser respeitado".

O MDB publicou nas redes sociais que "reafirma sua total confiança no sistema eleitoral brasileiro" e na legitimidade do resultado. Parte das lideranças do partido havia apoiado Flávio na disputa. O PL, legenda do senador, também tornou público que reconhece a vitória de Lula.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha, admitiu que não há provas de fraude no segundo turno. Em outro momento da semana, o Resenhando noticiou que Marinho disse ter sido surpreendido pela saída de Flávio do país.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), divulgou nota na quarta-feira, 28. Disse compreender a indignação do senador, mas defendeu "responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte".

Pastor e adversário de direita

O bispo JB Carvalho, líder da Comunidade das Nações, igreja de Brasília frequentada por Flávio, também se manifestou na quarta-feira. "As eleições terminaram. Não tem terceiro turno. Vida que segue!", escreveu nas redes sociais.

O ex-candidato à Presidência Renan Santos (Missão), que se declarou oposição ao governo Lula, criticou a decisão de Flávio de conduzir a oposição a partir do exterior. Comparou o gesto ao de Juan Guaidó, que se apresentou como presidente interino da Venezuela, mas ressalvou que o contexto é outro, já que o PL segue funcionando no Brasil. Disse não ver risco institucional e chamou a iniciativa de "oposição EAD".

"Eu estou aqui, vou lutar daqui e vou pagar as consequências das minhas ações", afirmou Renan.

A entrada nos EUA

Na mesma quinta-feira, o Metrópoles publicou, com base no jornal The New York Times, que o presidente americano, Donald Trump, autorizou a entrada temporária de Flávio nos Estados Unidos pelo mecanismo conhecido como "parole". O jornal, que ouviu autoridades americanas sob condição de anonimato, também afirma que um integrante da Casa Branca providenciou o jato particular da viagem. Segundo o NYT, o Departamento de Segurança Interna confirmou que o senador e familiares passaram pela inspeção da Alfândega e Proteção de Fronteiras e foram liberados.

A informação vem de fontes anônimas citadas pelo jornal e, nas reportagens lidas, não é acompanhada de documento nem de manifestação da Casa Branca ou de Flávio. O Resenhando não localizou posição do senador sobre o relato até a publicação.

No Brasil, o Resenhando já havia noticiado que a Polícia Federal disse não ter registro da saída do senador em posto migratório. O caso segue sob apuração.