Política

Rogério Marinho diz que campanha foi surpreendida pela saída de Flávio Bolsonaro do país

Coordenador da campanha afirma que conversou com Flávio na véspera sobre ele liderar a oposição; Lula chamou a viagem de "ato vergonhoso"

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, disse nesta terça-feira (27), em Brasília, que não sabia da saída do ex-candidato do país. Segundo a Agência Brasil, Flávio embarcou para os Estados Unidos menos de 48 horas depois de perder a eleição para o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Marinho falou à imprensa depois de uma reunião com parlamentares e dirigentes do PL. "Estamos surpresos porque ontem nós conversamos sobre a necessidade de que Flávio, com os 60 milhões de votos que teve, assumisse esse papel de liderança da oposição", afirmou. O senador contou ter recebido uma mensagem de texto de Flávio por volta das 8h, na qual ele dizia que ia "dar um tempo" e voltaria a falar com os aliados depois.

Rogério Marinho e senadores do PL em entrevista coletiva no Senado, em dezembro de 2025
Marinho e parlamentares do PL em entrevista coletiva no Senado, em dezembro de 2025 (foto de arquivo)Foto: Senado Federal/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O que se sabe sobre a viagem

A saída foi noticiada pela agência Reuters e, de acordo com a Agência Brasil, confirmada por um interlocutor do governo norte-americano. O investidor mexicano Simón Levy, ex-secretário de Turismo do México, escreveu nas redes sociais que a articulação teria sido conduzida pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Nenhuma autoridade brasileira ou americana havia comentado o caso oficialmente até a publicação da reportagem.

O senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ) também reagiu: "Confirmado! Flávio Bolsonaro foi para os EUA para não ser usado como moeda de troca contra o impeachment de Moraes!". A frase é do parlamentar e não foi comprovada por nenhum documento ou órgão oficial.

Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia mandado Flávio entregar os passaportes à Polícia Federal (PF). A ordem está sob segredo de justiça e foi divulgada pelo próprio senador nas redes sociais. Ela faz parte do inquérito em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro por meio de casas de apostas on-line. Os documentos não foram entregues, e a PF cancelou os passaportes. Em vídeo publicado na véspera, Flávio disse que não pretendia deixar o Brasil e que entregaria os passaportes.

Flávio também é alvo de outro inquérito, que apura o financiamento do filme "Dark Horse", sobre a trajetória do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A Agência Brasil afirma que ele responde ainda a apurações da PF por evasão de divisas e corrupção. O mandato de senador pelo Rio de Janeiro termina em fevereiro de 2027, quando ele perde o foro privilegiado.

Como reagiu o governo

Lula comentou o caso ao receber apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, onde comemorou os 81 anos. "O cidadão que sai escondido do seu país é porque deve alguma coisa", disse o presidente, que chamou a saída de "ato vergonhoso" e lembrou que, em 2018, entregou o passaporte e se apresentou à PF antes de ser preso.

A reportagem da Agência Brasil informa que procurou a assessoria de Flávio Bolsonaro e não obteve retorno. O Resenhando segue sem resposta do ex-candidato sobre os motivos e a duração da viagem. Para o contexto da decisão do ministro, leia a cobertura sobre o passaporte cancelado pela PF e o relato sobre a reunião de Valdemar Costa Neto e Michelle Bolsonaro sobre o futuro do PL.

Fontes: Agência Brasil, coordenador de campanha se diz surpreso e Agência Brasil, declaração de Lula.