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Assessor de Putin visita instalações da Marinha no Rio após ver Lula

Nikolai Patrushev inspecionou o maior navio de guerra do país e o Arsenal de Marinha depois de reunião fora da agenda oficial no Planalto

O assessor especial do presidente da Rússia, Vladimir Putin, Nikolai Patrushev, visitou instalações estratégicas da Marinha do Brasil no Rio de Janeiro nesta semana, dias depois de ser recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Brasília, em reunião que não constou da agenda oficial do Palácio do Planalto. A informação foi divulgada pela Gazeta do Povo.

O encontro com Lula ocorreu na terça-feira, 4 de agosto. No mesmo dia, Putin e Lula conversaram por telefone. Patrushev também se reuniu com o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, com a secretária-geral do Itamaraty, embaixadora Maria Laura da Rocha, e com o comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen.

Patrushev comandou o Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) entre 1999 e 2008 e chefiou o Conselho de Segurança do país de 2008 a 2024. Atualmente preside o Conselho Marítimo russo, órgão que coordena a política naval e portuária de Moscou.

O que ele visitou no Rio

A agenda no Rio de Janeiro incluiu o Museu Naval, o Arsenal de Marinha, o porto do Rio de Janeiro e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde esteve no Laboratório de Tecnologia Oceânica. Ele foi recebido pelo vice-almirante Gilberto Santos Kerr, diretor do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, e pelo reitor da UFRJ, Roberto de Andrade Medronho.

Na quinta-feira, 6 de agosto, Patrushev inspecionou o NAM Atlântico, capitânia e maior embarcação de guerra da frota brasileira. O navio-aeródromo multipropósito transporta tropas e opera aeronaves de asa rotativa e remotamente pilotadas. A comitiva russa também passou pelo monumento ao navegador Faddey Bellingshausen, na capital fluminense.

Os temas em discussão

Segundo o relato da visita, um dos assuntos centrais foi a chamada soberania tecnológica de Brasil e Rússia. A pauta bilateral tratada com autoridades brasileiras incluiu:

  • construção e manutenção naval;
  • tecnologias de veículos subaquáticos e robótica autônoma;
  • materiais resistentes à corrosão;
  • pesquisa em oceanografia e em ecossistemas costeiros e polares;
  • estudos sobre reservatórios do pré-sal e sequestro de carbono;
  • formação de especialistas brasileiros em universidades russas;
  • cooperação entre museus navais dos dois países.

O Palácio do Planalto não incluiu a reunião com Lula na agenda oficial do presidente divulgada no dia 4. Não há, até esta publicação, nota da Marinha do Brasil, do Itamaraty ou da Presidência detalhando eventuais compromissos assumidos na visita.

A aproximação naval ocorre enquanto o Brasil mantém posição de neutralidade declarada na guerra da Ucrânia e busca fornecedores para programas de reaparelhamento das Forças Armadas. O NAM Atlântico foi adquirido do Reino Unido em 2018.

Patrushev é uma das figuras mais antigas do núcleo de segurança de Putin. Sucedeu o próprio presidente russo na chefia do FSB, herdeiro do KGB, e passou 16 anos à frente do Conselho de Segurança, o colegiado que reúne os chefes das forças armadas e dos serviços de inteligência do país. Está sob sanções da União Europeia, do Reino Unido e dos Estados Unidos desde 2014, por causa da anexação da Crimeia, com restrições ampliadas após a invasão da Ucrânia em 2022.

O Brasil não aderiu às sanções ocidentais contra autoridades russas. A posição foi mantida ao longo do conflito e sustenta a possibilidade jurídica de encontros como o desta semana em território nacional. Nos fóruns dos Brics, dos quais Rússia e Brasil fazem parte, os dois países vêm defendendo pautas comuns de cooperação em tecnologia e comércio em moedas locais.

A visita a uma capitânia de frota tem peso simbólico próprio. O acesso a arsenal, laboratório de tecnologia oceânica e ao maior navio de guerra do país envolve instalações classificadas como sensíveis pela própria Marinha, cujo acesso por estrangeiros costuma depender de autorização prévia da força e do Ministério da Defesa.

O que se sabe sobre a agenda:

  • 4 de agosto: reunião com Lula em Brasília, fora da agenda oficial, e telefonema entre Lula e Putin;
  • reuniões com Celso Amorim, Maria Laura da Rocha e o comandante da Marinha;
  • 6 de agosto: inspeção do NAM Atlântico no Rio de Janeiro;
  • visitas ao Museu Naval, ao Arsenal de Marinha, ao porto do Rio e à UFRJ;
  • nenhum acordo assinado divulgado até esta publicação.

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