Reprovação ao STF bate recorde a 47%, e 88% rejeitam ministro julgar caso de advogado parente
Datafolha aponta a pior avaliação dos ministros desde 2019 e mede o que o eleitorado rejeita na conduta da Corte.
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O Datafolha registrou a maior reprovação ao Supremo Tribunal Federal desde que passou a medir o indicador, em 2019. Na pesquisa divulgada no sábado, 26, 47% dos eleitores avaliam como ruim ou péssimo o trabalho dos ministros da Corte. Outros 18% consideram o desempenho ótimo ou bom, 31% dizem que é regular e 4% não opinaram.
O mesmo levantamento mediu a opinião sobre conduta dos magistrados, e os números são mais duros que a avaliação geral. Para 88% dos entrevistados, é inaceitável que um ministro julgue processo de pessoa cujo advogado seja seu parente. Outros 85% reprovam a participação em evento pago por empresa.

O que diz a pesquisa sobre conduta
A rejeição se repete nos demais itens da lista apresentada ao eleitorado. Ter participação societária em empresa privada é considerado inaceitável por 78%. Receber para dar palestra a empresa aparece no mesmo patamar, com 78%. Manifestar-se publicamente sobre caso ainda em julgamento é reprovado por 71%.
Sobre a criação de um código de ética específico para os ministros do Supremo, 45% se declaram favoráveis e 33%, contrários.
Como o resultado se divide no eleitorado
A avaliação do tribunal acompanha a divisão da disputa presidencial. Entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 32% classificam o trabalho dos ministros como ótimo ou bom. Entre os eleitores do senador Flávio Bolsonaro (PL), o índice é de 6%.
No sentido inverso, 69% dos eleitores de Flávio Bolsonaro avaliam a atuação como ruim ou péssima, contra 24% dos eleitores de Lula. Perguntados sobre o efeito eleitoral, 33% disseram que a atuação dos ministros prejudica mais do que beneficia a candidatura do senador, e 23% afirmaram o mesmo em relação a Lula.
A leitura negativa já havia aparecido em outra medição do instituto, com campo anterior. Em levantamento divulgado em 21 de setembro, 48% dos eleitores disseram não confiar no STF, ante 43% em março. "É a primeira vez que o STF lidera numericamente a taxa de falta de confiança", escreveu o Datafolha, em série que começa em 2012. O tribunal aparece à frente de partidos, Congresso e Presidência da República.
O que veio antes na mesma série
Na rodada de 8 a 10 de setembro, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01833/2026, o instituto mediu a repercussão do vazamento de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Dois em cada três eleitores, ou 66%, souberam do caso.
Naquele levantamento, 34% avaliaram que Moraes deveria se afastar temporariamente do cargo para que uma investigação fosse feita, e 28% defenderam processo de impeachment pelo Senado. Outros 13% apontaram renúncia. Sobre o ministro André Mendonça, alvo de pedido de investigação feito por Moraes, 37% defenderam afastamento temporário e 25% disseram que nada deveria acontecer.
A conduta de magistrados também está em discussão fora da pesquisa. Em 21 de setembro, a Advocacia-Geral da União pediu ao STF a perda do cargo e a suspensão do salário do ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça.
Como a pesquisa foi feita
- Entrevistas: 2.002 eleitores, presencialmente
- Abrangência: 125 municípios
- Campo: 22 e 23 de setembro de 2026
- Margem de erro: 2 pontos percentuais, para mais ou para menos
- Nível de confiança: 95%
- Registro no TSE: BR-00304/2026
- Contratantes: Folha de S.Paulo e TV Globo
- Custo declarado: R$ 307.641,60
O Supremo Tribunal Federal não se manifestou publicamente sobre o resultado até a publicação desta reportagem.
A avaliação do tribunal entra no calendário eleitoral em um momento de disputa apertada. No mesmo instituto, a corrida presidencial aparece com Lula em 46% e Flávio Bolsonaro em 44% no segundo turno, dentro da margem de erro. A próxima rodada do Datafolha e os registros no sistema do TSE mostrarão se a marca de 47% se firma ou recua.