Política

Comissão da Câmara aprova convite para Roberta Luchsinger falar sobre inquéritos de Lulinha

Requerimento de Sanderson (PL-RS) foi aprovado de forma simbólica; presença da lobista não é obrigatória

Neste texto3 tópicos
  1. Como foi a votação na comissão
  2. O que está sob investigação
  3. O que Luchsinger já disse

A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira, 27, um convite para que a lobista Roberta Luchsinger fale ao colegiado sobre as investigações que miram ela e o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi divulgada pela Folhapress.

Por ser um convite, e não uma convocação, o comparecimento não é obrigatório. A Folhapress procurou Luchsinger e o advogado dela, Roberto Podval, por mensagem, para saber se ela pretende depor. Não houve resposta até a publicação do texto original.

Como foi a votação na comissão

O requerimento é do deputado Ubiratan Sanderson (PL-RS), da oposição. Foi aprovado de forma simbólica, sem contagem nominal de votos, em uma sessão que durou menos de 15 minutos.

No texto, Sanderson cita as supostas "ameaças de morte, coação, intimidação e tentativas de silenciamento" que a lobista disse estar sofrendo. Segundo o documento, é preciso esclarecer "as circunstâncias em que os fatos teriam ocorrido, a natureza das ameaças" e as medidas de proteção adotadas. O deputado também afirma que ela pode detalhar as apurações sobre o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", além de Lulinha.

Segundo o Times Brasil, que cita a Veja, Sanderson, aliado de Jair Bolsonaro (PL), defende que a Câmara apure a origem das ameaças e verifique se houve tentativa de impedir que a lobista se manifeste.

O que está sob investigação

Luchsinger e Lulinha são alvos de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), abertos por suspeita de corrupção e tráfico de influência. Um dos pontos apurados pela Polícia Federal é a hipótese de que os dois mantiveram uma sociedade oculta em negócios. As defesas negam irregularidades.

Os inquéritos nasceram de elementos encontrados em buscas e quebras de sigilo da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O Resenhando já publicou levantamentos sobre as 42 visitas da lobista a órgãos federais e sobre a autorização do inquérito por André Mendonça.

O que Luchsinger já disse

Em 17 de outubro, em entrevista à CNN Brasil, a lobista afirmou que pretende fechar um acordo de delação premiada para não responder sozinha pelos atos investigados. "Eu não vou poupar ninguém, porque o que está em questão é a verdade, doa a quem doer", disse. "Não vou poupar o filho do presidente, não vou poupar o presidente."

No mesmo dia, Sanderson e os deputados Marcel Van Hattem (Novo-RS), Zucco (PL-RS) e Bia Kicis (PL-DF) enviaram ao ministro do STF André Mendonça um ofício pedindo proteção a Luchsinger e às duas filhas dela, uma delas menor de idade, segundo o Poder360. O texto pede análise da inclusão no Provita, programa federal de proteção a testemunhas, e ressalva que as declarações públicas não provam responsabilidade de Lula ou de qualquer outra pessoa por eventuais ameaças.

Uma delação só vale se interessar às autoridades. Para obter benefício em eventual condenação, a lobista teria de confessar crimes e entregar à PF ou ao Ministério Público Federal informações com provas. As equipes responsáveis pelos casos exigem dados inéditos, que não tenham sido alcançados de forma independente.

A reportagem da Folhapress não traz data para uma eventual ida de Luchsinger à Câmara. Como o convite não obriga, ela pode aceitar ou recusar.