Política

Luchsinger diz que fará delação e que Lulinha se reuniu com ministros; Lula nega

Roberta Luchsinger diz que fará delação premiada e que Lulinha se reuniu com ministros. Lula nega conexão e fala em tentativa de tumultuar o 2º turno.

Neste texto4 tópicos
  1. O que Luchsinger afirmou
  2. A resposta de Lula
  3. Como a delação funciona
  4. O que já constava no caso

A empresária e lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal por tráfico de influência ao lado de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, disse em entrevista à CNN Brasil, na noite de sábado, 17, que pretende fazer delação premiada: "Não serei eu o boi de piranha". O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) respondeu em nota que jamais manteve conexão com ela.

O que Luchsinger afirmou

Segundo o Jornal de Brasília, que resumiu a entrevista, a lobista disse que fará o acordo quando a Justiça julgar adequado e que não poupará ninguém, nem o filho do presidente. "Você assiste coisas, vê coisas. Tem como colaborar com coisas que você não participou, mas assistiu", declarou.

Ela afirmou ainda que Lulinha esteve em reuniões com ministros do governo "inúmeras vezes" e que ela própria se reuniu com vários deles, citando o atual ministro das Comunicações, Frederico Siqueira. Sobre o presidente, disse que "um presidente da República que não sabe o que está acontecendo na antessala dele ou é mentiroso, ou senil". A entrevista também foi noticiada por Folha de S.Paulo, g1, Poder360 e Valor Econômico.

A resposta de Lula

Em nota divulgada em seguida, o presidente afirmou que "jamais manteve qualquer conexão com Roberta" e que "não existe nenhum contrato do governo federal" com ela, conforme registrou o Jornal de Brasília. O texto diz que "causa estranheza" as declarações aparecerem "justamente às vésperas do segundo turno" e chama a repetição do expediente de "tentativa irresponsável de tumultuar o processo democrático". A nota não comenta a menção aos ministros. Lulinha e o ministro das Comunicações têm espaço aberto para resposta neste texto.

Palácio do Planalto visto da praça, com mastros de bandeiras e a Bandeira Nacional ao fundo
Palácio do Planalto, sede da Presidência da República, em BrasíliaFoto: Senado Federal/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Como a delação funciona

Pela Lei 12.850/2013, a colaboração premiada é um acordo entre o investigado e o Ministério Público ou a Polícia Federal, que depende de homologação judicial. Antes disso, a fala em entrevista não tem valor de prova: o conteúdo só conta se for apresentado no acordo e confirmado por elementos independentes. Luchsinger disse aguardar o trâmite legal para começar.

O que já constava no caso

O Resenhando já publicou que a PF apontou R$ 300 mil em espécie com a lobista e que o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, deixou a campanha após repasses dela. Roberta e Lulinha são alvos do inquérito da PF sobre o esquema de fraudes no INSS, apurado sob a suspeita de tráfico de influência no governo federal.

O segundo turno está marcado para o dia 25. Até a publicação, não havia pedido formal de acordo de colaboração divulgado pelas autoridades.