Política

Marcola deixa a campanha de Lula após repasses de lobista investigada

Ex-chefe de gabinete do Planalto recebeu R$ 249 mil de Roberta Luchsinger, apontada como sócia do Careca do INSS, e diz que se trata de empréstimo pessoal

O ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, pediu para deixar a coordenação da campanha de reeleição nesta quarta-feira, 5 de agosto, dois dias depois de o Poder360 revelar que ele recebeu R$ 249 mil da empresária e lobista Roberta Luchsinger, alvo de inquéritos da Polícia Federal.

Marcola ocupou a chefia de gabinete do Palácio do Planalto de janeiro de 2023 a 31 de julho de 2026. Deixou o cargo no fim de julho para integrar a estrutura da campanha presidencial, à qual ficou vinculado por menos de uma semana antes da divulgação dos repasses.

Em nota, ele afirmou que os valores correspondem a um "empréstimo pessoal" e declarou que "meus sigilos bancário e fiscal estão integralmente à disposição da Justiça". Segundo relatos de integrantes da campanha ao Poder360, a saída foi apresentada como decisão política, e não jurídica, com o argumento de evitar que o episódio abrisse disputa interna ou fosse usado por adversários.

Quem é a lobista que fez os repasses

Roberta Luchsinger é apontada como sócia de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, personagem central das apurações sobre descontos irregulares em benefícios da Previdência Social. Ela é alvo de inquéritos da Polícia Federal que apuram tráfico de influência no governo federal e fraudes previdenciárias.

Em uma das linhas de investigação, a PF apura a suspeita de que a atuação dela junto ao governo tenha ocorrido em parceria com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. A reportagem do Poder360 que revelou os repasses não registrou manifestação da defesa de Roberta Luchsinger.

Como o PT reagiu

A avaliação predominante entre dirigentes petistas, segundo o Poder360, é de que o caso não tem potencial para afetar a campanha. Ao mesmo tempo, integrantes do partido passaram a cobrar de Marcola a apresentação dos comprovantes do empréstimo que ele alega ter contratado.

O vice-presidente do PT, Washington Quaquá, descartou publicamente a hipótese de ilicitude na transferência. A campanha não anunciou substituto para a função que Marcola ocupava na coordenação.

O caso reúne três elementos que costumam prolongar desgastes desse tipo: o valor transferido a um auxiliar direto do presidente, o vínculo da pagadora com uma investigação em curso sobre a Previdência e a proximidade da apuração com o entorno familiar de Lula. Nenhum deles depende de decisão judicial para seguir repercutindo no calendário eleitoral.

  • Valor dos repasses: R$ 249 mil
  • Quem recebeu: Marco Aurélio Santana Ribeiro, chefe de gabinete de Lula até 31 de julho de 2026
  • Quem pagou: Roberta Luchsinger, apontada como sócia do Careca do INSS
  • Explicação apresentada: empréstimo pessoal
  • Data da saída da campanha: 5 de agosto de 2026

Os inquéritos sobre tráfico de influência e sobre as fraudes no INSS seguem em andamento na Polícia Federal. Nenhuma das apurações citadas resultou até agora em denúncia contra Marcola. Acompanhe a cobertura de política nacional no Resenhando.

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