Política

Flávio Bolsonaro move notícia-crime contra Lula no caso Banco Master

Defesa do senador pede ao STF investigação contra Lula por corrupção passiva, com base em mensagens de Vorcaro sobre encontro no Planalto em 2024.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou, na quarta-feira, 23 de setembro, uma notícia-crime contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no inquérito que apura o Banco Master. O documento foi endereçado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso, com pedido de remessa à Procuradoria-Geral da República (PGR) e abertura de investigação formal.

A peça se apoia em mensagens que a Polícia Federal extraiu do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Master, instituição que teve a liquidação decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. Segundo o texto, as conversas mostram um encontro entre Lula e Vorcaro em 4 de dezembro de 2024, no Palácio do Planalto, fora da agenda oficial do presidente e supostamente articulado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. A reunião teria contado ainda com a presença do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e do então diretor do Banco Central Gabriel Galípolo, hoje presidente da autarquia.

A defesa de Flávio Bolsonaro cita um diálogo atribuído ao advogado Walfrido Warde, que teria relatado a Vorcaro que o encontro com Lula "foi muito bom" e que o presidente teria agradecido por uma garrafa de uísque enviada de presente pelo banqueiro. Com base nesses elementos, a notícia-crime pede a abertura de inquérito contra Lula pelos crimes de corrupção passiva e advocacia administrativa, sob a tese de que o presidente poderia ter usado o cargo para atender interesses de Vorcaro junto ao governo federal.

Procurada, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) negou que Lula tenha recebido presente de Vorcaro ou enviado recados ao banqueiro, e afirmou que o encontro entre os dois ocorreu uma única vez.

O que Flávio já tinha cobrado publicamente

A notícia-crime veio depois de Flávio Bolsonaro cobrar, em agenda eleitoral no Rio de Janeiro no sábado, 12 de setembro, a divulgação de investigações envolvendo Lula, integrantes do governo e o Banco Master. Na ocasião, o senador disse esperar que viesse a público o teor de uma reunião entre "Augusto Lima, o Vorcaro, o Galípolo, o Haddad e o Lula" sobre a situação do banco, referindo-se também ao presidente do BC, Gabriel Galípolo, e ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

No mesmo discurso, Flávio cobrou apuração sobre o destino de valores desviados de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em descontos associativos não autorizados. "Quero saber quanto do dinheiro roubado dos aposentados foi parar na conta do filho do Lula", disse, em referência a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Não há, até a publicação desta reportagem, decisão ou manifestação oficial que confirme qualquer ligação entre o filho do presidente e os desvios apurados pela Polícia Federal no INSS.

O que já está sob apuração

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS encerrou os trabalhos em 28 de março sem aprovar relatório final: o texto do relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), foi rejeitado por 19 votos a 12. Mesmo sem relatório aprovado pelo colegiado, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (PSD-MG), entregou cópia do documento de mais de 4 mil páginas ao STF e ao Ministério Público Federal (MPF), com indicações de fraude nos descontos associativos a aposentados e pensionistas.

No caso do Banco Master, o próprio Flávio Bolsonaro é alvo de apuração. A Polícia Federal foi autorizada pelo ministro André Mendonça, em 23 de julho, a investigar se emendas parlamentares ou projetos de lei de autoria do senador favoreceram o banco liquidado pelo Banco Central. O pedido partiu da PGR. Flávio também responde a inquérito no STF sobre o financiamento do filme "Dark Horse", sobre a vida de Jair Bolsonaro, com recursos ligados a Vorcaro, sob suspeita de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. O senador nega irregularidades e diz que "o impacto é zero" em sua pré-candidatura à Presidência.

O inquérito do Banco Master no STF, sob relatoria de Mendonça, segue em sigilo e sem prazo público para conclusão.

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