Trump declara apoio a Netanyahu e diz que EUA farão o trabalho sozinhos no Irã sem ele
Trump pede reeleição de Netanyahu em Israel e diz que os EUA agirão sozinhos contra o Irã se outro líder vencer. A eleição é em 27 de outubro.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste domingo, 18, "apoio completo e irrestrito" à reeleição do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e condicionou a continuidade da ação americana contra o Irã à permanência dele no cargo. Os israelenses votam em 27 de outubro.
A mensagem foi publicada na rede Truth Social e dirigida diretamente ao eleitor israelense. Trump chamou Netanyahu de líder "forte, corajoso e brilhante" e afirmou que ele resistiu à oposição, inclusive dentro de Israel. Segundo o americano, o premiê "nunca decepcionará" os israelenses.
O que Trump disse sobre o Irã
No mesmo texto, Trump acusou o Irã de ameaçar Israel e os Estados Unidos há décadas e disse que o país foi "sistematicamente destruído, tanto militar quanto financeiramente". Avisou que, se Teerã não mudar de comportamento rapidamente, os americanos vão "concluir o trabalho" em breve.
Em seguida, ligou a ofensiva à eleição. "Se Israel tiver o líder errado, o que significa qualquer pessoa que não seja Bibi, os Estados Unidos terão de fazer esse trabalho sozinhos, e não estou disposto a isso", escreveu, usando o apelido do premiê.
A frase faz referência a uma guerra de dois meses entre os EUA e o Irã, pausada em abril. Segundo a agência JTA, o conflito reduziu o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz e pressionou o preço da gasolina nos Estados Unidos. Uma pesquisa do Pew Research citada pela agência mostra que a guerra é impopular entre os americanos. As eleições de meio de mandato nos EUA ocorrem em 3 de novembro.
Como está a disputa em Israel
Segundo a JTA, Netanyahu aparece atrás do ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel Gadi Eisenkot nas pesquisas. O premiê colocou a eliminação do regime iraniano e do programa nuclear do país no centro da campanha. No sábado, em entrevista à i24News, afirmou que, se Eisenkot vencer, o Irã obterá armas nucleares. O slogan do bloco de direita é "ou é a direita ou é nuclear".
Em entrevista ao site Axios, Trump disse que não quis declarar apoio antes para não fazê-lo cedo demais. Perguntado se poderia trabalhar com outro líder israelense, respondeu: "Talvez sim, talvez não. Quem quer correr o risco?" A pergunta e a resposta foram reproduzidas por outros veículos que citam a entrevista.
Netanyahu agradeceu o apoio na rede X: "Juntos, vamos completar a missão". Até a publicação desta nota, as fontes consultadas não registraram manifestação de Eisenkot nem do governo israelense sobre a carta.
Por que o gesto chama atenção
O apoio explícito de um presidente americano a um candidato em eleição israelense é incomum, e a imprensa internacional trata o gesto como inédito na relação entre os dois países. Nos últimos meses, Trump havia evitado endossar Netanyahu em meio a atritos entre os dois governos sobre o Irã e Gaza.
Washington também já se manifestou sobre eleições de outros países neste ciclo: o governo americano enviou carta de apoio a uma eleição livre no Brasil. Para acompanhar outros movimentos da Casa Branca, veja também a suspensão da lei Graham de sanções à Rússia por 60 dias.
Os israelenses escolhem o novo Knesset, o Parlamento, em 27 de outubro. Fontes: Jewish Telegraphic Agency, 18/10/2026; Jornal de Brasília/Estadão Conteúdo, 18/10/2026; Ynet News, 18/10/2026.