Israel rejeita plano de paz dos EUA para Gaza, diz Netanyahu
Primeiro-ministro afirma que o país não aceita o documento de 15 pontos e condiciona a retirada militar ao desarme do Hamas
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou neste domingo, 9, que rejeita a mais recente proposta elaborada pelos Estados Unidos para a Faixa de Gaza. O plano, que prevê o desarmamento do Hamas, já havia sido aceito pelo grupo e dependia apenas da adesão israelense para entrar em vigor.
"Israel não aceita o documento de 15 pontos", declarou Netanyahu. O primeiro-ministro condicionou qualquer recuo militar ao desarme efetivo do grupo palestino. "As Forças de Defesa de Israel não realizarão nenhuma retirada até que o Hamas seja verdadeiramente desarmado", afirmou.
Na mesma declaração, o premiê tratou do programa nuclear iraniano. "Com ou sem acordo, enquanto eu for primeiro-ministro, o Irã não terá armas nucleares", disse.
O que prevê o documento de 15 pontos
A proposta foi anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e detalhada pelo Conselho de Paz criado por ele em 31 de julho de 2026. O texto prevê o desarmamento do Hamas em fases, a retirada gradual das forças israelenses da Faixa de Gaza, a criação de uma Força Internacional de Estabilização e a formação de uma nova polícia palestina.
O Hamas aceitou a proposta americana, o que deixou a decisão nas mãos de Israel. A recusa anunciada por Netanyahu trava o cronograma previsto no documento e devolve a negociação ao ponto em que a discussão sobre o desarmamento se dá item a item entre israelenses e americanos.
Israel e Estados Unidos seguem em conversas sobre os detalhes do desarme, sem prazo divulgado para uma nova rodada.
Como fica a negociação
A rejeição expõe a distância entre o texto costurado em Washington e o que o governo israelense considera aceitável. O Conselho de Paz de Trump havia apresentado o plano como o arranjo capaz de encerrar a guerra, com sequência definida: desarme, retirada, força internacional e nova estrutura policial palestina.
Netanyahu, porém, inverteu a ordem. Ao dizer que não haverá retirada antes do desarmamento efetivo, o primeiro-ministro retira do documento justamente o encadeamento que o Hamas aceitou. Sem acordo sobre quem age primeiro, o plano fica sem calendário.
A posição de Netanyahu foi divulgada pelo Poder360 e pelo jornal americano The Washington Post, que registrou a rejeição ao plano apoiado por Trump para o desarme do Hamas e a saída israelense de Gaza.
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A guerra em Gaza começou após o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023. Desde então, sucessivas propostas de cessar-fogo foram apresentadas por mediadores do Catar, do Egito e dos Estados Unidos, com resultados parciais e tréguas de curta duração.