Trump anuncia acordo para desarmar o Hamas; Israel ainda não aprovou
Presidente americano fala em desarmamento completo e em fases, mas representante do grupo trata o texto como projeto e Israel se mantém cético
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 31, que foi fechado um acordo para o desarmamento do Hamas na Faixa de Gaza. A declaração foi feita em Washington e atribui o entendimento ao Conselho da Paz, o órgão criado para conduzir a transição no território palestino. A informação foi divulgada pela Agência Brasil.
Segundo Trump, o desarmamento seria completo e ocorreria em etapas.
Hoje, o Conselho da Paz chegou a um acordo histórico para o desarmamento completo do Hamas.
O anúncio, porém, não corresponde a um pacto assinado pelas partes. Um representante do Hamas descreveu o documento como projeto de acordo, ou seja, um esboço em negociação, e não um texto final. Israel não confirmou adesão.
O que ainda não está fechado
As divergências que impedem a conclusão do entendimento são conhecidas e continuam sobre a mesa.
O Hamas sustenta que as armas pesadas seriam apenas armazenadas sob controle palestino, e não entregues a Israel. O grupo também condiciona qualquer desarmamento à retirada das forças israelenses de Gaza. Não há definição sobre o destino das armas leves e de uso pessoal.
Do lado israelense, a exigência é de desarmamento completo, com a retirada das armas do território. O governo de Israel demonstrou ceticismo quanto ao cumprimento do que foi anunciado e havia rejeitado, antes da declaração de Trump, uma proposta de 15 pontos apresentada nas negociações.
Restam pendentes ainda o compromisso israelense de encerrar os ataques e a definição da chamada Força Internacional de Estabilização, o contingente que ficaria encarregado da segurança durante a transição. Pela estimativa apresentada pelo Conselho da Paz, a execução das etapas levaria de 200 a 320 dias.
Procurada, a embaixada de Israel em Washington não respondeu de imediato ao pedido de manifestação.
Por que o anúncio pesa
O desarmamento do Hamas é a condição central de qualquer arranjo de pós-guerra em Gaza e o ponto em que as negociações vinham travando. Sem ele, Israel não aceita reduzir a presença militar no território, e sem a retirada israelense o grupo se recusa a abrir mão do armamento.
O Conselho da Paz é a instância montada para administrar essa transição e concentra a articulação com os mediadores regionais. Um acordo firmado nesse fórum, se confirmado pelas partes, definiria quem controla a segurança em Gaza e sob qual autoridade a reconstrução seria conduzida.
A guerra em Gaza começou depois do ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023 e passou por sucessivas rodadas de negociação intermediadas por Catar, Egito e Estados Unidos. Cada uma delas esbarrou no mesmo ponto: o Hamas trata o armamento como garantia de sobrevivência política e militar, e Israel condiciona o fim das operações à eliminação dessa capacidade.
A entrega de armas por um grupo armado raramente ocorre de uma vez. Em processos semelhantes, o desarmamento foi escalonado e acompanhado por verificação internacional, com prazos que se estenderam por anos. A estimativa de 200 a 320 dias apresentada agora seria curta para o padrão desse tipo de arranjo, e depende de uma força de estabilização que ainda não foi constituída.
A distância entre o anúncio e a implementação é o dado a acompanhar. Enquanto Israel não se manifestar formalmente e o Hamas não converter o projeto em compromisso assinado, o que existe é uma declaração de intenção do lado americano.
Não há data divulgada para a próxima rodada de negociações nem para a eventual assinatura do texto.
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