Sindicatos espanhóis marcam greve geral por moradia a 18 dias da eleição
UGT e CCOO convocam paralisação de 24 horas para 11 de novembro, a primeira em 14 anos, depois de Pedro Sánchez marcar eleições para 29 de novembro
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As duas maiores centrais sindicais da Espanha, UGT e CCOO, convocaram uma greve geral de 24 horas para 11 de novembro, em protesto contra a crise de moradia. A paralisação cai 18 dias antes das eleições legislativas antecipadas de 29 de novembro. Será a primeira greve geral no país em 14 anos, segundo a agência Lusa, em reportagem reproduzida pela Agência Brasil.
A convocação saiu dois dias depois de o primeiro-ministro Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), marcar a data da eleição. Ele anunciou o pleito na segunda-feira, 5, dois dias depois de o Parlamento derrubar decretos do governo com medidas para a habitação.
O que pedem os sindicatos
O secretário-geral da UGT, Pepe Álvarez, disse que as centrais vão se juntar aos coletivos que já pediam a greve. A data foi combinada com a CCOO (Comisiones Obreras). Álvarez afirmou que a paralisação reivindica "salários dignos para uma moradia digna".
O chamado partiu da Confederação de Sindicatos de Inquilinas, que reúne associações de defesa do direito à moradia. Desde 23 de setembro, o grupo mobiliza milhares de pessoas em protestos diários contra ações de despejo. Os preços de imóveis e de aluguéis dispararam nos últimos anos, e a oposição aponta a habitação como o principal fracasso do governo Sánchez, no poder desde 2018.
A última greve geral convocada por UGT e CCOO foi em 2012.
Empresários e oposição questionam a greve
As entidades patronais reagiram de imediato. O presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais, Antonio Garamendi, levantou dúvidas sobre a legalidade do movimento, porque, na avaliação dele, a pauta não é trabalhista. Também apontou "claro componente político e eleitoral" e disse que o alvo parece ser mais a oposição do que o governo.
O Partido Popular (PP, direita) e o Vox (extrema-direita) criticaram o momento da convocação e lembraram que é a primeira greve geral desde que Sánchez chegou ao poder. O porta-voz do PP, Borja Sémper, classificou a decisão como "eminentemente política", com a intenção de favorecer Sánchez. O PP afirma que "os sindicatos acordaram" depois de oito anos de governos liderados pelo socialista, e chama a habitação de "grande fracasso" da gestão.
Sánchez, por sua vez, disse que a greve afeta muitos trabalhadores e suas famílias. Segundo ele, a única coisa que o governo pode fazer é respeitar o direito constitucional de greve.
O que vem a seguir
O calendário é curto. A greve de 11 de novembro ocorre às vésperas do início da campanha, e a votação está marcada para 29 de novembro. A reportagem da Lusa não detalha quais setores terão serviços mínimos garantidos.
O governo espanhol já lidava com outra frente neste semestre. O controle imposto a quem chega da Itália, em agosto, foi um desdobramento da crise migratória em Ceuta, que o Resenhando acompanhou. Agora, o custo de morar entra na pauta da eleição.