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Embaixador de Cuba diz que invasão dos EUA é risco real; Trump afirma que não precisará das Forças Armadas

Embaixador cubano no Brasil diz que invasão dos EUA é risco real. Veja as sanções já aplicadas e o que Trump e Rubio disseram sobre a ilha.

Neste texto3 tópicos
  1. O que disse o embaixador
  2. O que Washington já fez e disse
  3. O que isso significa para o debate

O embaixador de Cuba no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, afirmou que o governo cubano considera real o risco de uma invasão da ilha pelos Estados Unidos. A declaração consta de entrevista à Agência Brasil, publicada na sexta-feira (30). O diplomata disse que o país se prepara para uma agressão militar e rejeitou a acusação americana de que Cuba seja uma ameaça.

Cuba é parte interessada no assunto, e a entrevista não traz resposta da Casa Branca nem do Departamento de Estado às falas do embaixador. O que há de confirmado em registro público está na sequência: as medidas e as declarações americanas citadas pela agência.

O que disse o embaixador

"O povo cubano se prepara hoje para uma invasão real dos EUA", afirmou Palomo. Segundo ele, Havana pede que a comunidade e a imprensa internacionais não aceitem uma invasão e que a maioria da população defende a soberania do país e lutaria contra uma ação estrangeira.

O embaixador classificou como "ridícula" a acusação de que Cuba ameaça os EUA. Em sua avaliação, um país "bloqueado, pequeno e economicamente asfixiado" não teria capacidade de pôr em risco a maior potência do mundo. Ele reconheceu que a ilha tem problemas, mas atribuiu o travamento do desenvolvimento ao bloqueio econômico americano.

O que Washington já fez e disse

De acordo com a Agência Brasil, desde janeiro de 2025, com a volta de Donald Trump à Casa Branca, os EUA ampliaram as sanções contra Havana. Entre elas está o bloqueio energético, com ameaças a países que vendam petróleo à ilha, o que deixou Cuba três meses sem receber nenhum barril. A agência registra ainda a saída de empresas hoteleiras estrangeiras e da Visa, além da redução de voos internacionais, o que afeta o turismo, principal setor da economia cubana.

Em janeiro deste ano, a Casa Branca classificou Cuba como "ameaça incomum e extraordinária" aos EUA. Em setembro, o secretário de Estado, Marco Rubio, disse que o governo faria "o possível para tomar medidas que iniciem esse processo de mudança" em Cuba, e que o processo "não será fácil". Nas últimas semanas, o Departamento de Estado impôs nova sanção a empresas de "tecnologias sensíveis" ligadas à ilha, e a Justiça americana decretou a prisão do ex-presidente Raúl Castro, segundo a agência.

As declarações de Trump são menos uniformes. Em março, ele disse que teria a "honra de tomar Cuba". Em outubro, afirmou que os EUA iriam "cuidar de Cuba" depois de lidar com o Irã. Em outra fala, o presidente defendeu que é possível chegar "a um acordo" com Havana e disse: "Não acho que precisaremos das forças armadas".

O que isso significa para o debate

A distância entre o alerta de Havana e a fala de Trump sobre dispensar as forças armadas indica que não há decisão anunciada de ação militar. O que está em curso, pelos registros citados, é a pressão econômica e diplomática por uma mudança de regime. A própria agência descreve o cerco como uma ofensiva para derrubar o governo do Partido Comunista.

O Resenhando acompanhou outros capítulos da relação entre os dois países: a votação na ONU que aprovou o fim do embargo com 130 votos, as sanções dos EUA ao Ministério da Construção de Cuba e o centenário de Fidel Castro em meio a apagões.