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Colômbia de Espriella volta ao Consenso de Genebra contra o aborto, que Petro havia deixado

Governo Espriella reinsere a Colômbia no Consenso de Genebra, aliança com 47 Estados contrária ao aborto. A lei de 2022 segue valendo até a 24ª semana.

Neste texto4 tópicos
  1. O que é o Consenso de Genebra
  2. Como a Colômbia entrou, saiu e voltou
  3. Mudança de linha também na ONU
  4. O que muda na lei colombiana

A Colômbia voltou a aderir ao Consenso de Genebra, aliança internacional contrária ao aborto, em decisão anunciada em 8 de outubro pelo governo do presidente Abelardo de la Espriella. O país havia deixado o grupo em 2022, no governo do esquerdista Gustavo Petro. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo e reproduzida pelo Jornal de Brasília.

O que é o Consenso de Genebra

O consenso foi criado em 2020, no primeiro governo de Donald Trump, e reúne hoje 47 Estados. Entre os fundadores estavam Brasil (então sob Jair Bolsonaro), Egito, Hungria, Indonésia e Uganda. O texto afirma que “não existe um direito internacional ao aborto” e que os países não têm obrigação de financiar ou facilitar a prática. Também sustenta que o aborto não deve ser tratado como método de planejamento familiar nem entrar em programas de saúde sexual e reprodutiva.

Não é um tratado e não cria obrigação jurídica. É uma declaração política e diplomática, de peso simbólico nos fóruns multilaterais, onde permite ao governo defender uma leitura restritiva dos direitos reprodutivos sem mudar a lei interna. Os Estados Unidos presidem o grupo atualmente. O Brasil chegou a presidi-lo de forma administrativa em 2022 e saiu em 2023, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumiu o governo.

Como a Colômbia entrou, saiu e voltou

A Colômbia aderiu em maio de 2022, no governo de Iván Duque, como reação à decisão da Corte Constitucional que descriminalizou o aborto até a 24ª semana de gestação, tomada em fevereiro daquele ano. Meses depois, sob Petro, a chancelaria anunciou a saída. O governo dele disse considerar o acesso ao aborto legal e seguro parte dos direitos sexuais e reprodutivos e da saúde das mulheres.

O retorno foi anunciado pelo embaixador colombiano na Organização dos Estados Americanos (OEA), Alejandro Ordóñez, que já tinha sido um dos responsáveis pela entrada do país em 2022.

AnoPresidentePosição da Colômbia no Consenso de Genebra
2022 (maio)Iván DuqueAdere
2022 (meses depois)Gustavo PetroAnuncia a saída
2026 (8 de outubro)Abelardo de la EspriellaVolta ao grupo

Mudança de linha também na ONU

Segundo a reportagem, o governo de De la Espriella também se afastou, nas últimas semanas, de expressões como “direitos sexuais e reprodutivos” e “gênero” no Conselho de Direitos Humanos da ONU. O conjunto das decisões marca uma ruptura com posições que a Colômbia vinha defendendo nos organismos multilaterais.

O que muda na lei colombiana

Nada, no plano jurídico. O direito ao aborto estabelecido pelo Judiciário em 2022 continua valendo até a 24ª semana. Depois desse prazo, seguem permitidas as três situações fixadas pela corte em 2006: risco à vida ou à saúde da gestante, inviabilidade da vida do feto fora do útero e gravidez resultante de violência sexual ou incesto.

Ativistas pelo aborto legal avaliam que a adesão pode ter efeitos práticos, como mais desinformação sobre o que a lei permite e barreiras de acesso para mulheres que teriam direito à interrupção. A reportagem registra a posição dos ativistas, e o governo colombiano não foi citado com resposta a esse ponto.

A política externa de Lula e de Flávio Bolsonaro no segundo turno, incluindo as relações com governos alinhados ou opostos a Washington, é tema de outra matéria do portal: política externa nos planos de Lula e Flávio.

Fonte: reportagem de Angela Boldrini, da Folhapress, via Jornal de Brasília.