Política externa: Lula quer aprofundar Sul Global e Brics; Flávio, aproximar EUA e Israel
Plano de Lula prioriza Sul Global e Brics; o de Flávio Bolsonaro defende EUA, Israel e Argentina. Veja o que cada programa promete.
Neste texto3 tópicos
Os planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) para a política externa apontam para direções opostas: o petista promete aprofundar a aproximação com o Sul Global, o Brics e o G20, e o senador defende reaproximar o Brasil de Estados Unidos, Israel e Argentina. O contraste foi detalhado nesta terça-feira, 13, em reportagem da Agência Brasil, a menos de duas semanas do segundo turno, marcado para o dia 25.
O que diz o plano de Lula
O programa do presidente, candidato à reeleição, dedica quase seis páginas ao tema. Defende uma política externa "universalista", com relações "com todas as regiões do mundo", e novos acordos comerciais para diversificar parceiros. O texto cita o tarifaço do governo de Donald Trump, que atinge o Brasil desde o ano passado, e promete seguir "enfrentando agressões comerciais".
O documento também diz que o mundo vive "conflitos sem precedentes" desde a Segunda Guerra Mundial e rejeita "alinhamentos automáticos". Na defesa nacional, lista entregas do atual mandato: R$ 20,4 bilhões executados em projetos estratégicos desde 2023, sete caças Gripen F-39, três cargueiros KC-390, quatro fragatas em construção (a primeira já opera) e 226 viaturas blindadas.

O que diz o plano de Flávio Bolsonaro
O programa do candidato do PL ocupa cerca de três páginas. Afirma que, "nos últimos anos, a política externa brasileira trocou o interesse nacional pela ideologia", e critica a posição do governo em relação a Irã, Venezuela e Israel. Prega "profissionalismo e foco no interesse do Brasil" para reverter relações que, segundo o texto, foram "levadas ao limite do rompimento" com Argentina, Estados Unidos e Israel.
Ao mesmo tempo, o plano sustenta que defender a soberania é abrir mercados e atrair investimentos. "Negociaremos com todos os que interessam ao Brasil, da China à União Europeia, dos Estados Unidos aos mercados asiáticos", diz o documento, que coloca como critério o interesse do produtor e do trabalhador brasileiro. Na área militar, promete incentivar tecnologias de defesa com foco em drones e inteligência artificial.
Onde as duas candidaturas divergem
- Estados Unidos: Lula fala em enfrentar as tarifas e rejeita alinhamento automático; Flávio defende reaproximação com Washington e tem endossado as ações militares do governo Trump.
- Brics: o plano de Lula promete aprofundar o bloco; o candidato do PL critica a política do grupo de estimular o comércio sem o dólar, segundo a Agência Brasil.
- Israel e Irã: o governo condena os ataques militares ao Irã e a captura de Nicolás Maduro na Venezuela, com apelos a diálogo; Flávio defende as ações americanas e quer relações mais próximas com Israel.
- Defesa: os dois prometem fortalecer a indústria nacional, com ênfases diferentes: projetos em andamento, no caso do PT, e drones e IA, no do PL.
As posições sobre as guerras seguem o que cada lado já vinha dizendo na campanha. Os programas de governo, registrados na Justiça Eleitoral, são o compromisso formal que cada candidato apresenta ao eleitor, e a política externa é um dos capítulos em que a diferença fica mais explícita no papel.
A votação do segundo turno ocorre no domingo, 25 de outubro, das 8h às 17h, no horário de Brasília. Quem não votou no primeiro turno também pode votar. A decisão do eleitor sobre o rumo da diplomacia brasileira ficará, na prática, entre essas duas linhas. Sobre as adesões partidárias na reta final, veja também a posição do MDB no pleito presidencial.
Fonte: Agência Brasil, 13/10/2026, com base nos planos de governo registrados pelas campanhas.