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CNBB nega ter ajudado a espalhar boato sobre Aparecida, e Flávio diz que a nota lhe dá razão

A conferência dos bispos diz que não produziu nem divulgou informação falsa. Flávio Bolsonaro afirma que a nota confirma a versão dele sobre o boato.

Neste texto3 tópicos
  1. O que diz a nota dos bispos
  2. O que o candidato disse depois da nota
  3. O capítulo judicial que corre em paralelo

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota no domingo, 27, para negar que tenha produzido ou divulgado informação falsa sobre a eleição. A resposta veio depois de uma acusação do candidato à Presidência Flávio Nantes Bolsonaro (PL). Ele disse que pessoas ligadas à entidade ajudaram a espalhar um boato contra ele.

A CNBB afirma no documento que "não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral". O texto é assinado pela Assessoria de Comunicação. Ele está publicado na íntegra na Nota de Esclarecimento divulgada pela CNBB.

O boato em questão dizia que o candidato pretenderia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Flávio Bolsonaro classifica a versão como falsa. Em evento de campanha no domingo, atribuiu a circulação dela ao PT, com ajuda de "pessoas de dentro" da conferência. Ele não apresentou prova dessa participação.

Quadro com quatro trechos literais da nota da CNBB e a observação de que nenhum candidato ou partido é nomeado no texto
Os trechos da nota que respondem à acusação, e o que o documento não dizArte: Resenhando, com o texto da nota da CNBB

O que diz a nota dos bispos

A nota tem quatro afirmações e nenhum nome próprio. A conferência diz que repudia "a produção e a utilização de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar". Afirma também que não integra estrutura político-partidária, de partido ou candidatura. Suas manifestações sobre a eleição decorrem da missão pastoral e de princípios já expressos em documentos públicos.

O trecho mais duro responde diretamente à acusação. "Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral", diz o documento, que encerra com a frase "a mentira não se combate com outra mentira".

Um detalhe do texto ajuda a medir o alcance da resposta: a nota não cita candidato, partido ou publicação específica. Ela nega a participação da própria instituição e condena a desinformação em tese, sem apontar autor do boato.

O que o candidato disse depois da nota

Nesta segunda-feira, 28, Flávio Bolsonaro tratou a nota como confirmação da sua versão. A fala foi em visita ao Mercado Municipal de São Paulo. Ele disse que o documento "confirma que essa história de Nossa Senhora Aparecida deixar de ser a padroeira do Brasil era uma grande mentira". Chamou o episódio de maior fake news da campanha, segundo a cobertura do jornal O Povo.

Na mesma fala, o candidato manteve a acusação contra o PT, a quem atribuiu a potencialização do boato, e citou nomes da campanha adversária. A Revista Oeste registrou a avaliação dele sobre o texto dos bispos: "foi muito boa a nota, esclarecedora".

O PT não havia se manifestado sobre a nota até a publicação desta reportagem. A CNBB, por sua vez, não voltou a se pronunciar depois da declaração desta segunda.

O capítulo judicial que corre em paralelo

A disputa sobre o assunto já passou por duas instâncias em menos de uma semana. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) havia mandado remover da plataforma X uma publicação sobre o tema, a pedido da campanha do candidato. A liminar fixava multa de R$ 30 mil por ato de descumprimento. No domingo, o ministro Flávio Dino cassou os quatro comandos dela na Reclamação 95.295. O caso está na reportagem sobre a decisão de Dino que derrubou a ordem de remoção do TSE.

Antes disso, a campanha recorreu ao ministro Luiz Fux para tentar manter a retirada do conteúdo. O movimento está detalhado na matéria sobre o recurso da campanha a Fux e a ida do caso ao plenário. São duas frentes ao mesmo tempo. Uma é judicial, sobre o que pode ser removido da internet em período eleitoral. A outra é política, sobre quem produziu e quem empurrou o boato.

O primeiro turno é no domingo, 4 de outubro. Até lá, dois documentos públicos sustentam o que se sabe. Um é a nota da CNBB, que nega participação e não aponta culpado. O outro é a decisão da Reclamação 95.295, que restabeleceu as publicações retiradas do ar. Quem acompanha o caso tem dois pontos a observar: se a conferência responde à leitura feita pelo candidato e se o plenário do Supremo referenda a decisão de Dino.

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