Eleições 2026

PF registra 86 casos de crimes eleitorais no 2º turno; sigilo do voto lidera com 38

Balanço da Polícia Federal aponta 74 pessoas conduzidas, 13 inquéritos e ocorrências em 21 estados; Paraíba, Minas e Sergipe concentram um terço dos casos

A Polícia Federal (PF) registrou 86 casos de possíveis crimes eleitorais no segundo turno das eleições, realizado no domingo, 25. Segundo o balanço final divulgado pela corporação nesta segunda-feira, 26, 74 pessoas foram conduzidas à PF e a violação do sigilo do voto foi a ocorrência mais frequente, com 38 casos.

Até as 8h desta segunda, a PF havia instaurado 13 inquéritos policiais e lavrado 64 termos circunstanciados de ocorrência, o registro usado para infrações de menor potencial ofensivo. Seis situações de flagrante ainda estavam em análise.

O que a PF registrou

Depois dos 38 casos de possível violação ou tentativa de violação do sigilo do voto, aparecem 24 de propaganda eleitoral irregular, 8 de desordem nos trabalhos eleitorais e 6 de desobediência eleitoral. A nota cita ainda ocorrências de danos a urnas eletrônicas e de suspeita de votação em nome de terceiros, sem informar quantas foram.

Os casos se espalharam por 21 unidades da federação. A Paraíba teve 11, Minas Gerais 9 e Sergipe 8, o que soma 28 ocorrências, cerca de um terço do total. Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro tiveram 5 cada. O Distrito Federal registrou 3, o mesmo número de São Paulo, Piauí e Paraná. Santa Catarina teve 1.

Na contagem preliminar, a PF apreendeu R$ 41.420,02 em bens e valores durante a votação, dos quais R$ 4.157 em dinheiro. O restante são aparelhos celulares, equipamentos de informática e de som.

Os números de 2026 até aqui

A corporação também atualizou o acumulado do ano. Até as 9h30 de segunda, havia 1.629 inquéritos policiais instaurados por crimes eleitorais em 2026, 98 operações deflagradas e 2.483 inquéritos em andamento. Os bens e valores apreendidos somam R$ 51.947.512,10, sendo R$ 31.752.150,20 em dinheiro vivo.

Há ainda 104 inquéritos em andamento sobre violência política contra a mulher, prevista no artigo 326-B do Código Eleitoral. Desses, 88 foram abertos neste ano.

O balanço da PF não é comparável aos 1.170 registros do primeiro turno que o Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgou, como o Resenhando mostrou no domingo da votação. São contagens de órgãos diferentes, e a nota da PF não informa se os critérios coincidem. O número de 86 não indica, por si só, que o segundo turno teve menos crimes que o primeiro.

A própria PF faz a ressalva nos dados. Na nota, a corporação afirma que "os números são dinâmicos e podem sofrer alterações em razão de novas ocorrências, investigações e atualizações dos sistemas da instituição". Os valores de apreensão são descritos como preliminares e sujeitos à validação.

Fora do balanço de crimes na votação, a PF apura separadamente se a redução da frota de ônibus em algumas capitais atrapalhou o acesso às seções. O caso, que tem inquérito aberto em Sergipe, está no levantamento do Resenhando sobre a apuração nos cinco estados. Os dados oficiais seguem no painel de acompanhamento da PF, que a corporação indica na nota para quem quiser conferir a evolução dos números.