Lula recebe 64,3 milhões de votos, a maior votação já obtida por um presidenciável
Total supera o recorde de 2022, mas o percentual de 51,79% fica abaixo do de 2002; Lula cresceu em todos os estados entre os turnos
Neste texto3 tópicos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terminou o segundo turno de domingo (25) com 64.256.232 votos, a maior votação já obtida por um candidato à Presidência desde a primeira eleição direta da redemocratização, em 1989. O dado é da Agência Brasil, que levantou as séries históricas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O recorde anterior também era de Lula: em 2022, ao vencer Jair Bolsonaro (PL), ele teve pouco mais de 60 milhões de votos. O adversário derrotado foi o senador Flávio Bolsonaro (PL). A primeira matéria do Resenhando sobre o resultado, com 98,2% das urnas apuradas, trazia 51,75% dos votos válidos. O total final, segundo a Agência Brasil, é de 51,79%.
Recorde de votos não é recorde de percentual
A própria Agência Brasil faz a ressalva: o número absoluto sobe porque o eleitorado cresce. Em 1989, o país tinha pouco mais de 82 milhões de eleitores. Em 2026, são mais de 158 milhões. Lula teve 51,79% dos votos válidos, bem abaixo dos 61,27% que ele mesmo obteve em 2002, quando derrotou José Serra (PSDB). Segundo a Agência Brasil, esse segue sendo o maior percentual de um vencedor entre as eleições listadas na comparação.
Das dez eleições presidenciais desde 1989, só as de 1994 e 1998 foram decididas no primeiro turno.
Onde Lula ganhou votos entre os turnos
Outra reportagem da Agência Brasil compara os dois turnos. No primeiro, Lula somou quase 53,9 milhões de votos. No segundo, 10,3 milhões a mais. O crescimento ocorreu nos 26 estados e no Distrito Federal.
- São Paulo: foi onde Lula abriu a maior diferença entre os turnos, com 2,6 milhões de votos a mais.
- Minas Gerais: ganho de mais de 1,1 milhão. Foi o único estado em que o resultado se inverteu. No primeiro turno, Flávio tinha 5,7 milhões e Lula, 5,1 milhões. No segundo, Lula chegou a 6,3 milhões contra 6,2 milhões do adversário.
- Rio de Janeiro: reduto político de Flávio, o estado deu a Lula mais de 872 mil votos novos, contra pouco mais de 202 mil de acréscimo para o senador.
- Roraima, Acre e Amapá: os menores ganhos absolutos de Lula, com pouco mais de 9 mil, 9,7 mil e 10,4 mil votos.
Em seis estados, Flávio perdeu votos
Flávio Bolsonaro também cresceu na maior parte do país, mas com acréscimos menores. Em seis estados, o número absoluto de votos dele caiu entre os turnos, num total de mais de 52,3 mil: Maranhão, Acre, Amapá, Roraima, Amazonas e Tocantins. A reportagem registra a queda sem apontar causa.
O senador não reconheceu o resultado e anunciou que pedirá a anulação do segundo turno. O prazo e os caminhos legais desse pedido estão explicados em outra matéria do Resenhando.