Economia

Aluguel sobe 9,16% em 12 meses e supera em mais de quatro vezes o índice que corrige contratos

Aluguel anunciado subiu 9,16% em 12 meses, contra 2,16% do IGP-M. Veja a alta em cada uma das 22 capitais no Índice FipeZAP de agosto.

O preço pedido em novos contratos de aluguel residencial subiu 9,16% nos 12 meses encerrados em agosto de 2026, mais de quatro vezes a variação do IGP-M, índice usado para corrigir a maior parte dos contratos de locação no país. No mesmo período, o IGP-M acumulou 2,16% e o IPCA, 4,22%.

Os dados constam do informe de agosto do Índice FipeZAP de Locação Residencial, calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com o Grupo OLX, que reúne Zap, Viva Real e OLX. O levantamento acompanha anúncios de apartamentos prontos em 36 cidades, entre elas 22 capitais.

No mês de agosto isolado, o índice subiu 0,55%, em desaceleração ante o 0,70% de julho. O avanço ocorreu num mês de deflação nos dois principais indicadores de preços: o IPCA caiu 0,32% e o IGP-M recuou 0,22%.

No acumulado de 2026, a alta do aluguel anunciado chega a 6,56%. O IPCA soma 3,11% e o IGP-M, 1,85% no mesmo intervalo.

O que o índice mede e o que ele não mede

A própria Fipe delimita o alcance do número em nota do informe. Os preços considerados se referem a anúncios de novos aluguéis, e o cálculo não incorpora a correção dos contratos em vigor, reajustados conforme a cláusula assinada por cada inquilino.

A distinção separa dois mercados. Quem mantém o contrato acompanha o índice contratado, em geral o IGP-M, que rodou a 2,16% em 12 meses. Quem precisa trocar de imóvel entra no mercado de anúncio, que pede 9,16% a mais.

Em um aluguel de R$ 3.000 por mês, a diferença entre as duas contas fica em torno de R$ 210 mensais, ou cerca de R$ 2.500 no ano. O IGP-M vem de dois anos de variação baixa, como registrou a queda de 1,16% apurada em julho e detalhada na matéria sobre o recuo do IGP-M e o efeito no reajuste dos aluguéis.

Entre os tipos de imóvel, os apartamentos de dois dormitórios lideraram a valorização em 12 meses, com 10,25%. As unidades de quatro dormitórios ou mais tiveram o menor avanço, de 6,42%.

Onde o aluguel subiu mais

As 22 capitais monitoradas registraram alta em 12 meses. Aracaju lidera, com 21,61%, seguida de Fortaleza, com 16,81%, e Natal, com 16,60%. No outro extremo, Campo Grande teve 1,87%, Goiânia, 2,40%, e Florianópolis, 2,82%.

Gráfico de barras com a alta do aluguel em 12 meses nas 22 capitais brasileiras até agosto de 2026
Aracaju lidera a alta do aluguel anunciado em 12 meses, com 21,61%; as barras cinza mostram o IPCA e o IGP-M do mesmo períodoGráfico: Resenhando, com dados do Índice FipeZAP, IBGE e FGV/IBRE
CapitalAlta em 12 meses
Aracaju+21,61%
Fortaleza+16,81%
Natal+16,60%
Teresina+15,81%
Vitória+14,65%
Rio de Janeiro+14,18%
Brasília+9,98%
São Paulo+5,74%
Florianópolis+2,82%
Campo Grande+1,87%

Entre as 36 cidades acompanhadas, só Pelotas (RS) teve queda em 12 meses, de 2,37%. No recorte do mês de agosto, seis capitais registraram recuo: Aracaju, Belém, Brasília, Maceió, João Pessoa e Manaus.

Em agosto, 27 das 36 cidades monitoradas tiveram aumento de preço, entre elas 16 das 22 capitais. As maiores altas do mês vieram de Vitória, com 4,01%, e Campo Grande, com 3,85%.

A variação de 9,16% em 12 meses fica perto do fechamento de 2025, quando o índice subiu 9,44%. O período mais forte da série recente foi 2022, com 16,55%, seguido de 2023, com 16,16%, e 2024, com 13,50%.

O preço médio do metro quadrado anunciado para locação ficou em R$ 54,47 em agosto, considerando as 36 cidades. Os imóveis de um dormitório apresentaram o maior valor por metro quadrado, R$ 72,41.

A rentabilidade média do aluguel, medida pela relação entre o valor da locação e o preço de venda, ficou em 6,14% ao ano. O indicador é acompanhado por investidores como referência de retorno do imóvel alugado.

A inflação oficial de agosto já havia mostrado alívio em outros grupos de despesa, conforme o IPCA que recuou 0,32% no mês. A pressão do aluguel anunciado corre, portanto, em sentido contrário ao movimento geral de preços neste ano.

O próximo informe do Índice FipeZAP, com os números de setembro, será divulgado em outubro.

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