Economia

IGP-M cai 1,16% em julho e alivia o reajuste dos aluguéis

Índice acumula 2,76% em 12 meses, puxado para baixo pelo recuo de combustíveis e derivados de petróleo no atacado

O Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) caiu 1,16% em julho de 2026, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado aprofunda o recuo de 0,50% registrado em junho e leva o chamado índice do aluguel a acumular 2,08% no ano e 2,76% em 12 meses.

O IGP-M é a referência de reajuste da maior parte dos contratos de locação residencial e comercial no país, além de tarifas de energia e de planos indexados. Com o acumulado em 12 meses abaixo de 3%, o inquilino cujo contrato faz aniversário nos próximos meses tende a receber correção bem menor que a inflação ao consumidor.

O peso do atacado

A queda vem do componente mais pesado do índice. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do IGP-M, recuou 1,74% em julho, depois de cair 0,97% em junho.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com peso de 30%, passou de alta de 0,47% em junho para queda de 0,01% em julho. Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), com 10%, subiu 0,62%, ante 0,85% no mês anterior.

  • IGP-M: queda de 1,16% em julho, após queda de 0,50% em junho.
  • Acumulado no ano: alta de 2,08%.
  • Acumulado em 12 meses: alta de 2,76%.
  • IPA (60%): queda de 1,74%.
  • IPC (30%): queda de 0,01%.
  • INCC (10%): alta de 0,62%.

Petróleo e a distensão no Estreito de Ormuz

A explicação da FGV aponta para fora do país. O recuo do atacado foi puxado por combustíveis e derivados de petróleo, depois que a tensão internacional que havia elevado as cotações no mês anterior perdeu força.

"O resultado do IGP-M segue fortemente influenciado pelo IPA, que registrou nova queda impulsionada por combustíveis e derivados de petróleo. A reversão das pressões do mês anterior reflete a redução das tensões entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz, que derrubou as cotações internacionais do petróleo", afirmou Matheus Dias, economista do FGV Ibre.

Dentro do IPC, o movimento também foi de alívio. O grupo Alimentação passou de alta de 1,02% para queda de 0,74%. Transportes suavizou de queda de 0,35% para queda de 0,09%. Na direção contrária, Educação, Leitura e Recreação acelerou de 0,37% para 0,80%.

O que isso antecipa

O IGP-M funciona como termômetro antecedente porque mede a inflação antes de ela chegar à prateleira. Quando o atacado cede com essa intensidade, parte do movimento tende a aparecer no consumidor nos meses seguintes, sobretudo em alimentos e transportes.

A ressalva é que a origem da queda é externa e reversível. Preço de petróleo depende de geopolítica, e o mesmo fator que derrubou a cotação em julho pode inverter o sinal no mês seguinte sem qualquer relação com a política econômica doméstica. O custo da construção, que segue pressionado pela mão de obra e não pelos materiais, mostra que a desaceleração não é generalizada.

Para quem vai renegociar contrato, o cálculo prático é direto: um aluguel de R$ 2.000 reajustado pelo IGP-M acumulado de 2,76% sobe cerca de R$ 55. Pelo IPCA projetado, a correção seria bem maior.

Leia também: a projeção do IPCA que estoura o teto da meta e o que o mercado espera da Selic.

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