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Inflação do Reino Unido acelera a 3,1% em agosto, informa o ONS

Índice ficou acima do dobro da meta de 2% do Banco da Inglaterra, que decide os juros nesta quinta-feira

A inflação anual ao consumidor do Reino Unido acelerou de 2,9% em julho para 3,1% em agosto, informou o Escritório Nacional de Estatísticas britânico (ONS) nesta quarta-feira, 16 de setembro. O resultado veio em linha com a mediana das projeções de analistas de mercado.

Na comparação mensal, o índice de preços ao consumidor subiu 0,5% em agosto, também dentro do consenso. O núcleo do índice, que exclui alimentos e energia por serem os itens mais voláteis, avançou 0,3% no mês e acumula alta de 2,6% em 12 meses.

O patamar de 3,1% está acima do dobro da meta de 2% perseguida pelo Banco da Inglaterra. O comitê de política monetária da instituição se reúne nesta quinta-feira, 17 de setembro, para definir a taxa básica de juros do país.

O ONS atribuiu o movimento principalmente ao custo de energia das residências. O regulador do setor, o Ofgem, elevou em 13% o teto tarifário no início de julho, reajuste que segue sendo repassado às contas ao longo do trimestre.

A cotação internacional do petróleo pesa na mesma direção. O barril do tipo Brent superou os US$ 100 em meio à tensão no Oriente Médio, o que encarece combustíveis e transporte em toda a cadeia. Na leitura do InfoMoney sobre os dados do ONS, os combustíveis automotivos subiram 23% na comparação anual.

O quadro britânico repete a dinâmica que outras economias desenvolvidas enfrentam depois do choque energético: a inflação de serviços cede devagar enquanto os preços administrados e a energia voltam a pressionar o índice cheio.

Para o Banco da Inglaterra, a decisão desta quinta-feira envolve a mesma escolha que o Federal Reserve e o Banco Central Europeu vêm administrando. Cortar juros com a inflação acima do dobro da meta arrisca ancoragem; manter a taxa elevada preserva a credibilidade da meta e cobra o preço em atividade e emprego.

O Reino Unido é destino relevante para exportações brasileiras de commodities agrícolas e minerais. Juros britânicos mais altos por mais tempo fortalecem a libra, encarecem o crédito no mercado europeu e tendem a segurar a demanda importadora, efeito que chega ao produtor brasileiro com defasagem.

O que está em jogo na decisão de quinta

O Banco da Inglaterra opera com meta de inflação de 2%, definida pelo Tesouro britânico. Quando o índice se afasta da meta em mais de um ponto percentual, o presidente da instituição é obrigado a enviar carta pública de explicação ao chanceler do Erário, mecanismo de prestação de contas que não existe no desenho brasileiro.

O núcleo em 2,6% é o número que o comitê observa com mais atenção, porque mede a pressão que não depende de choques externos. Enquanto o índice cheio sobe por energia e combustível, o núcleo indica quanto da inflação já se espalhou para o resto da economia.

O ONS divulga a próxima leitura do índice em outubro, com os dados de setembro.

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