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Paises do Golfo cancelam reuniao sobre a reabertura de Ormuz

Encontro com Ira e Oma estava marcado para segunda-feira; petroleo subiu mais de 3% no dia

Os países árabes do Golfo Pérsico cancelaram a reunião que teriam nesta segunda-feira, 14, com Irã e Omã para tratar da reabertura do estreito de Ormuz. O anúncio foi feito pelo ministro das Relações Exteriores de Omã, Sayyid Badr Albusaidi, que disse ter adiado o encontro "em prol do consenso", segundo a Agência Brasil.

O Irã apresentou outra versão. Segundo o governo iraniano, o adiamento partiu de pedido da Arábia Saudita. As duas explicações não coincidem e nenhuma das partes apresentou documento que sustente sua versão.

O estreito de Ormuz é a passagem por onde escoa parte relevante do petróleo negociado no mundo. A rota está no centro da disputa entre Teerã e os países do Golfo desde o início do ano, e cada rodada frustrada de negociação se traduz em preço.

Na segunda-feira, o petróleo bruto subiu mais de 3%. Nos Estados Unidos, o diesel atingiu o recorde de US$ 6,23 por galão. A Agência Brasil registra ainda que o fechamento do oleoduto saudita leste-oeste poderia reduzir em até 4% o abastecimento global de combustível.

O que aconteceu no terreno

O cancelamento veio depois de uma sequência de ações militares. Os houthis dispararam dezenas de mísseis e drones contra uma base aérea militar saudita em Khamis Mushait, atingindo hangares, sistemas de radar, pistas de decolagem e depósitos de munição. O grupo descreveu a ação como retaliação a centenas de ofensivas aéreas sauditas contra o Iêmen.

Na sexta-feira, 11, os houthis passaram a controlar uma ilha na foz do Mar Vermelho e danificaram o oleoduto saudita leste-oeste, a estrutura que permite escoar petróleo sem passar por Ormuz. É justamente a alternativa logística que os países do Golfo usariam caso o estreito seguisse restrito.

A lista dos 77 navios

O Irã divulgou uma lista de 77 embarcações que, segundo Teerã, violaram protocolos no estreito. Os navios listados ficam sujeitos a restrições futuras, que podem incluir multa, detenção ou confisco.

A medida transfere custo direto ao armador e ao segurador. Cada navio nomeado numa lista dessas passa a enfrentar prêmio de seguro mais alto e exige renegociação de rota, dois fatores que entram no preço final do combustível antes mesmo de qualquer bloqueio efetivo.

O Brasil acompanha o caso pelo lado do preço. A crise em Ormuz já apareceu na conta do Tesouro em 2026, com a sequência de medidas provisórias que bancaram subvenção ao diesel. Em 11 de agosto, o petróleo Brent superou os US$ 90 por causa da indefinição sobre o estreito, como o Resenhando registrou.

Nem a Arábia Saudita nem o Conselho de Cooperação do Golfo divulgaram nova data para o encontro. O governo iraniano também não informou se mantém as restrições em vigor no estreito enquanto a negociação estiver suspensa.

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