Cultura

Unesco: 189 jornalistas foram mortos em 2024 e 2025, o maior número em dez anos

Relatório divulgado nesta segunda-feira, 2, aponta 127 mortes em zonas de conflito, 62 delas na Palestina, e impunidade de 86%

Neste texto4 tópicos
  1. Onde os jornalistas morreram
  2. Sobre o que eles trabalhavam
  3. E no Brasil?
  4. Impunidade

A Unesco contabilizou 189 jornalistas assassinados no mundo em 2024 e 2025, o maior número em um biênio desde 2014 e 2015, quando foram 215 mortes. O dado consta do Relatório sobre a Segurança de Jornalistas e o Perigo da Impunidade, divulgado nesta segunda-feira, 2, data em que a ONU lembra o Dia Internacional pelo Fim da Impunidade em Crimes contra Jornalistas, conforme informou a Agência Brasil.

Onde os jornalistas morreram

A maior parte das vítimas, 127 (67% do total), morreu em países em zona de conflito, um aumento de 24% em relação ao biênio 2022/2023. Cinquenta dessas mortes foram causadas por drones. Pelo menos 36 jornalistas morreram em ataques a escritórios de veículos ou a locais que abrigavam equipes de imprensa. Em um único episódio, nove profissionais foram mortos de uma vez.

A Unesco identificou ainda ao menos 15 casos em que há indícios de que o alvo usava colete com a palavra "imprensa" ou estava em carro identificado como de jornalistas. A Palestina concentrou o maior número de mortes, 62, um terço do total do período.

Fora das zonas de guerra, o balanço é diferente: foram 62 mortes, o menor número em 18 anos. Dessas, 17 vítimas foram mortas em seus escritórios, 33 em seus veículos e 20 na própria casa, em alguns casos junto com familiares. Quatro morreram em ataques terroristas e sete em situações de manifestação, por ação de manifestantes ou de forças policiais.

Sobre o que eles trabalhavam

Segundo o levantamento, 104 das mortes ocorreram durante a cobertura de conflitos armados. Outras 38 vítimas reportavam sobre política, 22 sobre atividades criminosas e algumas sobre corrupção. "Isso mostra que fazer reportagens sobre alguns assuntos pode ser tão perigoso quanto reportar em uma zona de guerra", afirmou a diretora de Liberdade de Expressão e Desenvolvimento da Mídia e Alfabetização Midiática e Informacional da Unesco, Sylvie Couldray.

Entre os 189 mortos, cinco tinham de 15 a 24 anos e 20 tinham de 25 a 29 anos. Foram assassinadas 14 mulheres, 7% do total e o menor percentual desde o biênio 2012/2013. Treze delas morreram em países em conflito.

E no Brasil?

O país aparece com um caso no período: Luís Augusto Carneiro da Costa, o Luisinho Costa, morto a tiros no estúdio da Rádio Guarany, em Abaetetuba, no Pará, em maio de 2025. De acordo com a Polícia Civil do Pará, o inquérito foi concluído e enviado à Justiça, com quatro pessoas indiciadas.

O tema da liberdade de imprensa também motivou outras decisões recentes no país. O Resenhando noticiou o arquivamento do inquérito 4.942, aberto contra o influenciador Monark, e a recusa da Meta em criar um canal de denúncias para jornalistas.

Impunidade

Desde 2006, a Unesco registrou o assassinato de 1.641 jornalistas. Apenas 223 desses casos, 14%, foram resolvidos pela Justiça. Em 1.013 (66%), os processos seguem em andamento ou sem solução. Em outros 321 (20%), a organização não recebeu resposta das autoridades dos países.

Somados os casos sem solução e os sem resposta, o índice de impunidade chegou a 86% neste ano, um ponto percentual acima do medido em 2024. É a primeira alta desde 2012, segundo a Unesco. O relatório completo pode ser consultado no site da Unesco.