OMM: El Niño deve se intensificar e durar até fevereiro, e pode ser um dos mais fortes desde 1950
Agência da ONU projeta temperatura do Pacífico 3,7 °C acima do normal entre outubro e dezembro, recorde da série
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A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da Organização das Nações Unidas, prevê que o El Niño vai se intensificar até um pico em dezembro e permanecer ativo até fevereiro de 2027, com probabilidade próxima de 100%, segundo reportagem da Reuters publicada pela Agência Brasil em 8 de outubro. A previsão consta do boletim climático mensal da OMM.
Os números do boletim
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, disse que o fenômeno pode ser um dos mais fortes desde pelo menos 1950. A temperatura da superfície do mar no Pacífico tropical central e leste deve chegar a 3,7 °C acima do normal entre outubro e dezembro. O recorde anterior é de 2,6 °C, registrado de novembro de 2015 a janeiro de 2016.
Saulo afirmou que o oceano que alimenta o fenômeno é o mais quente já medido pela OMM, o que significa mais calor disponível para ser liberado. Em agosto, a temperatura média global chegou a 16,96 °C, igualando julho de 2023 como o mês mais quente da série, segundo o serviço europeu Copernicus.
Pesquisadores do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago, estimam que o "super El Niño" possa causar até 451 mil mortes adicionais no mundo entre junho de 2026 e fevereiro de 2027.
O que o fenômeno costuma provocar
O El Niño é a fase quente do sistema El Niño-Oscilação Sul. Ele tende a elevar as temperaturas globais e a alterar o regime de chuvas, com seca em algumas regiões e chuva forte em outras. Ocorre em intervalos de dois a sete anos.
Onde isso encontra o campo brasileiro
O Resenhando já registrou movimentos do governo e do setor diante do fenômeno. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) entregou ao Ministério da Agricultura 163 medidas contra risco climático para a safra 2026/2027. O governo também abriu, por medida provisória, crédito extraordinário de R$ 64,2 milhões para ações ligadas ao El Niño. E, no início da semeadura, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontou solo seco em Goiás e Mato Grosso.
No Brasil, o IBGE também citou o clima ao explicar a alta de preços de alimentos em setembro: o analista Fernando Gonçalves atribuiu o avanço do tomate e da batata a problemas de oferta ligados a frio e chuva, e disse que ainda não está claro se o El Niño teve influência.
A reportagem da Reuters não traz projeções específicas para a safra brasileira. O que o boletim da OMM fixa é o calendário: pico em dezembro, fim do fenômeno só em fevereiro, justamente o período de plantio e desenvolvimento da safra de verão no hemisfério sul. O próximo boletim mensal da organização dirá se a previsão de intensidade se confirma.