Agronegócio

Semeadura de soja e milho começa com solo seco em Goiás e Mato Grosso, aponta o Inmet

Prognóstico do instituto para outubro prevê chuva abaixo da média e temperatura mais de 2 °C acima do padrão no centro de Goiás e no DF

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) projeta chuva abaixo da média histórica em Mato Grosso, em Goiás e no Distrito Federal em outubro. É o mês em que abre a janela de semeadura da soja. O prognóstico saiu na última sexta-feira, 25.

O instituto já havia detalhado o efeito no campo. Em boletim agrometeorológico publicado em 22 de setembro, o Inmet calculou chuva entre 10 e 30 milímetros para os sete dias seguintes. O volume se concentra apenas na porção sul de Goiás e de Mato Grosso. Nas demais áreas produtoras dos dois estados, o armazenamento de água no solo seguiria em níveis que o órgão classificou como extremamente baixos.

O documento pede cautela na implantação das lavouras de sequeiro. Semear com umidade limitada aumenta o risco de germinação e emergência desuniformes, de falhas de estande e de replantio, segundo o instituto. O texto também trata das pancadas isoladas. Elas podem criar condição momentânea favorável ao plantio, mas não garantem a água necessária para a germinação.

O que o boletim diz sobre o solo em Goiás e Mato Grosso

O Inmet liga o calendário das duas principais culturas de verão. Atraso prolongado na instalação da soja nos dois estados reduz a janela disponível para a semeadura da segunda safra de milho nas áreas de sucessão. O órgão recomenda que a data de plantio considere três fatores. São eles a umidade do solo de cada propriedade, a previsão atualizada e o Zoneamento Agrícola de Risco Climático, o ZARC.

O alerta chega num ano em que a área plantada deve crescer. O próprio boletim cita a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O registro é de expansão da área de milho primeira safra e de crescimento contínuo da área de soja no país. A estatal já projetou uma safra de 366,6 milhões de toneladas de grãos em 2026/2027, número que depende da regularização das chuvas.

O instituto acrescenta um dado operacional. As máximas devem passar de 30 °C no norte e no sudoeste de Mato Grosso e no oeste de Mato Grosso do Sul. Calor alto com solo seco eleva a perda de água por evaporação e encurta o tempo em que a semente encontra umidade.

Tabela com a previsão do Inmet de chuva e temperatura para outubro em Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul
Chuva abaixo da média em quase todo o Centro-Oeste e calor mais de 2 °C acima do padrão no centro de Goiás e no DFArte: Resenhando, com dados do Inmet

Como fica outubro por região

No Centro-Oeste, o prognóstico aponta acumulados abaixo da média de forma geral. A exceção fica no sudoeste e no leste de Mato Grosso do Sul, onde o Inmet espera volumes acima do normal. A restrição de chuva se concentra em Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e nas áreas do Pantanal e do centro-norte sul-mato-grossense.

A temperatura segue o caminho oposto. Os maiores desvios previstos para o país estão no Centro-Oeste e no Sudeste. Na região central de Goiás, incluindo o Distrito Federal, o instituto projeta médias mais de 2 °C acima do padrão de outubro. Nas demais áreas da região, o desvio chega a 1,5 °C.

No Sul, a previsão é de chuva acima da média, com anomalia de cerca de 75 milímetros. No leste do Rio Grande do Sul, o excesso pode superar a média histórica em até 200 milímetros. Em Mato Grosso do Sul, a maior frequência de chuva tende a favorecer a recuperação da umidade do solo e o desenvolvimento inicial das lavouras.

O quadro imediato aparece no serviço de avisos do próprio instituto. Consulta feita neste domingo, 27, aos alertas ativos mostra dois avisos de baixa umidade. Eles alcançam Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal, com umidade relativa entre 30% e 20%. Os dois valem das 10h às 22h, no domingo e na segunda-feira. Há ainda um aviso de onda de calor classificado como grande perigo, em vigor de 26 a 30 de setembro. Ele cobre Goiás e Mato Grosso e prevê temperatura 5 °C acima da média por mais de cinco dias. O Distrito Federal não está na lista desse aviso.

Quem vai plantar tem onde checar antes de decidir. O Inmet mantém no portal os boletins agrometeorológicos e o mapa de armazenamento de água no solo, atualizados ao longo da safra. O ZARC define a janela autorizada de semeadura por município e por ciclo de cultivar. Ele foi alvo de uma revisão de 163 medidas de risco climático entregue pela Embrapa ao Ministério da Agricultura.

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