Agronegócio

Conab eleva a safra de grãos para 360,8 milhões de toneladas

O 11º levantamento aponta produção 2,4% maior que a do ciclo anterior, com soja em 180,5 milhões e milho em 143 milhões de toneladas. O trigo recua 26,2%.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou nesta quinta-feira, 13, a safra brasileira de grãos de 2025/26 em 360,8 milhões de toneladas, no 11º levantamento do ciclo. O volume é 2,4% superior ao da temporada anterior, com acréscimo de 8,5 milhões de toneladas.

A área plantada chegou a 83,5 milhões de hectares, expansão de 2,1%. A produtividade média ficou em 4.322 quilos por hectare.

O número consolida a trajetória de alta registrada nos levantamentos anteriores. Em julho, no 10º levantamento, a companhia projetava 360,1 milhões de toneladas.

O desempenho por cultura

A soja segue como principal produto do ciclo, com estimativa de 180,5 milhões de toneladas. O milho vem em seguida, com 143 milhões de toneladas. As duas culturas respondem por mais de 89% do total da safra.

Entre os demais grãos, o levantamento traz:

  • Arroz: 11,1 milhões de toneladas
  • Algodão em caroço: 5,8 milhões de toneladas
  • Trigo: 5,8 milhões de toneladas, 26,2% abaixo da safra de 2025
  • Feijão: 3 milhões de toneladas, 3,2% abaixo do ciclo anterior

A queda do trigo é a mais acentuada do levantamento. O recuo de mais de um quarto da produção afeta diretamente a dependência externa do país, que já importa parte do volume consumido pelos moinhos, sobretudo da Argentina.

O que o número significa para o produtor

Safra maior em ano de custos elevados não se converte automaticamente em margem melhor. O produtor que ampliou área precisa avaliar o efeito do volume adicional sobre os preços de comercialização e o peso do crédito rural contratado na temporada.

A relação entre produção recorde e endividamento no campo tem aparecido nos números do setor. Recuperações judiciais e extrajudiciais no agronegócio cresceram ao longo de 2026, movimento associado à combinação de custo de insumos, taxa de juros e preço de venda das commodities.

A Conab é a estatal responsável pelo acompanhamento das safras e pela política de abastecimento. Seus levantamentos mensais servem de referência para a formação de preços, para o planejamento logístico dos portos e para o desenho do Plano Safra.

O próximo marco do calendário da companhia é o primeiro levantamento da safra 2026/27, previsto para 20 de agosto, que abre as projeções do ciclo seguinte.

São dois ciclos distintos e é comum que se confundam. O número de 360,8 milhões de toneladas fecha o quadro de 2025/26, temporada em fase final de colheita. O levantamento do dia 20 inaugura a estimativa de 2026/27, ainda baseada em intenção de plantio e em projeção de área, com margem de revisão maior nos primeiros meses.

A expansão de 2,1% na área plantada, que levou o país a 83,5 milhões de hectares, é o dado estrutural do levantamento. Ela mostra que o crescimento da safra veio da combinação de mais área com produtividade média de 4.322 quilos por hectare, e não apenas de clima favorável em uma região específica.

Para o mercado, o levantamento mensal funciona como referência pública em um setor onde as demais projeções vêm de consultorias privadas e de tradings. É o número da Conab que baliza a discussão sobre estoques, a programação de escoamento nos portos e o cálculo de subvenções previstas no Plano Safra.

O trigo segue como o ponto de atenção do ciclo. Com 5,8 milhões de toneladas e queda de 26,2% em relação a 2025, a produção nacional cobre parte do consumo interno, e a diferença é suprida por importação, majoritariamente de origem argentina.

O feijão é o outro grão em retração, com 3 milhões de toneladas e recuo de 3,2% sobre o ciclo anterior. Diferente do trigo, o feijão tem produção distribuída em três safras ao longo do ano, o que dilui o efeito de uma quebra pontual sobre o preço no varejo.

Leia também: Conab estimou 360,1 milhões de toneladas no 10º levantamento.

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