Plenário da Câmara se divide sobre a viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA
Governistas falam em abandono da oposição; deputado do PL diz que o senador é alvo de perseguição
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Deputados da base do governo e da oposição divergiram, em discursos no Plenário da Câmara nesta quarta-feira, 28, sobre a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos e sobre a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), informou a Agência Câmara.
Governistas disseram que o senador deixou o papel de líder da oposição. Oposicionistas afirmaram que ele foi a convite de autoridades americanas e sofre perseguição política.
Os argumentos da oposição
O deputado Giovani Cherini (PL-RS) negou que tenha havido fuga. "A própria Polícia Federal anunciou que ele não fugiu. Na verdade, ele foi convidado pelo presidente americano Donald Trump e é hóspede do governo americano, em função das perseguições que sofre no Brasil", declarou.
A afirmação cita a nota da PF desta quarta, que diz que restrições a documentos de viagem "não caracterizam a condição de foragido". No mesmo comunicado, a corporação informou que investiga as circunstâncias da saída do país e que não achou registro de passagem do senador por posto migratório brasileiro. A Agência Brasil registrou que nenhuma autoridade brasileira ou americana havia se manifestado oficialmente sobre a saída quando o caso veio à tona, na terça.
O que disse a base governista
O deputado Márcio Jerry (PCdoB-MA) afirmou que o resultado das urnas reforça o compromisso com a democracia e classificou a saída do país como tentativa de evitar responsabilizações. Dorinaldo Malafaia (PDT-AP) disse que o senador "abriu mão da liderança política que poderia exercer como oposição e abandonou os seus correligionários".
Merlong Solano (PT-PI) preferiu não tratar do tema: "Não cabe ao presidente Lula ficar tratando agora do assunto Flávio Bolsonaro". Para ele, o presidente deve se concentrar na conclusão do mandato e na formação do próximo governo. O deputado listou medidas recentes voltadas a microempreendedores, como a ampliação do teto do MEI, o perdão de dívidas ativas da União, o Desenrola 3 (descontos de até 90%) e o NanoMei, para quem fatura até R$ 40 mil e não precisa de CNPJ.
O que está em jogo
Flávio é investigado em inquérito do Supremo Tribunal Federal por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, ao lado do advogado Willer Tomaz. Ele nega irregularidade. O ministro Alexandre de Moraes havia determinado a entrega dos passaportes antes de o senador deixar o país. O mandato dele no Senado termina em fevereiro de 2027.
No mesmo dia, líderes de partidos na Câmara falaram em governabilidade e em pautas de fim de ano. Sobre a agenda parada na Casa, veja a matéria sobre a pauta de Hugo Motta e a do recesso sem votação da PEC da Segurança.
A PF não informou prazo para concluir a apuração sobre a saída do país.
Fonte: Agência Câmara, 28/10/2026, e nota da PF reproduzida pela Agência Brasil.