Política

Flávio Bolsonaro diz que governo Lula encoraja a ação de bandidos

Em vídeo de 55 segundos publicado no X, o pré-candidato promete tratar facção criminosa como organização terrorista

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, publicou nesta quinta-feira (30) um vídeo em que afirma que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encoraja e sinaliza apoio à atuação de bandidos e vagabundos. A gravação, de 55 segundos, foi divulgada no perfil do senador no X.

No vídeo, o senador sustenta que criminosos circulam sem constrangimento enquanto a população convive com medo. A declaração foi divulgada pelo Poder360, que procurou a Presidência da República por WhatsApp e não recebeu manifestação até a publicação.

O que o senador propõe

A gravação apresenta quatro pontos de programa na área de segurança pública. O senador defende o aumento de penas para criminosos considerados perigosos, a restauração do que chama de autonomia policial, o fim de benefícios legais a traficantes e a classificação de facções como organizações terroristas.

Uma das frases do vídeo resume a proposta central: facção criminosa vai ser tratada como o que é, organização terrorista. Em outro trecho, afirma que vagabundo perigoso vai ficar muito mais tempo preso.

A tese da classificação como terrorismo tem precedente recente fora do país. Em junho, os Estados Unidos incluíram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras, decisão que passou a ser citada no debate político brasileiro.

Como a mudança dependeria do Congresso

Enquadrar facção como organização terrorista no Brasil exige alteração legislativa. A Lei 13.260, de 2016, define terrorismo a partir de motivação por xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, e não abrange a atuação de grupos com finalidade lucrativa, caso das facções ligadas ao tráfico.

Propostas que ampliam essa definição já tramitaram nas duas Casas em legislaturas anteriores sem conclusão. Enquanto não houver mudança na lei, a classificação permanece restrita ao debate político.

A campanha começa oficialmente depois do registro das candidaturas, previsto para até 15 de agosto. Até lá, pré-candidatos podem apresentar propostas, mas não pedir voto de forma explícita.

O vídeo integra a estratégia de comunicação do pré-candidato nas redes sociais, formato em que ele tem concentrado o discurso sobre segurança pública. A gravação curta, publicada diretamente no perfil pessoal, dispensa intermediação e circula sem o filtro de entrevista, modelo que se consolidou entre pré-candidatos à Presidência neste ciclo.

Do lado do governo, a política de segurança tem sido apresentada a partir das operações integradas com as polícias estaduais e da proposta de mudança constitucional que redistribui competências entre União, estados e municípios. A Presidência não respondeu às declarações do senador.

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