Eleições 2026

Haddad lança plano de segurança para SP com agência antifacção

Programa "SP Que Protege" prevê estrutura de inteligência ligada ao governador, placar trimestral de crimes resolvidos e câmeras ininterruptas na PM

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, apresentou nesta segunda-feira, 10, na capital paulista, seu plano de segurança pública para o estado. O programa se chama "SP Que Protege" e tem como carro-chefe a criação de uma agência estadual antifacção ligada diretamente ao governador.

A proposta organiza o plano em torno do eixo que a campanha batizou de "Impunidade Zero", com foco em elevar as taxas de elucidação de crimes e integrar polícias, guardas municipais e órgãos de controle.

O que diz o plano

A agência antifacção seria uma estrutura permanente de inteligência e investigação, reunindo as polícias, o Ministério Público, a Receita estadual e órgãos de controle. O alvo declarado é o patrimônio e os negócios usados por organizações criminosas dentro da economia formal, e não apenas a apreensão de drogas e armas.

O documento também prevê a divulgação trimestral dos índices de resolução de roubos, furtos, homicídios e feminicídios por região, o que a campanha chama de placar da segurança. Outras frentes anunciadas:

  • retomada da gravação ininterrupta das câmeras corporais usadas por policiais militares;
  • uso ampliado de inteligência artificial na prevenção e na investigação;
  • força-tarefa permanente no Porto de Santos, com mandato e orçamento próprios, reunindo governo estadual, Receita Federal, Polícia Federal, autoridade portuária e Marinha;
  • força-tarefa nos corredores do agronegócio, no interior;
  • reforço das Delegacias da Mulher, com plataforma de inteligência artificial para cruzar dados e classificar risco;
  • progressão na carreira policial por critérios profissionais, com melhoria salarial.

A agência seria criada como órgão do Executivo estadual, e não como nova polícia, o que evita a exigência de emenda constitucional. O desenho aproxima o modelo do que estados como o Rio de Janeiro e o Paraná tentaram com centros integrados de inteligência, com a diferença de subordinar a estrutura ao gabinete do governador.

O plano se apoia em indicadores de baixa elucidação para justificar o eixo central. São Paulo esclareceu 31% dos homicídios em 2023, abaixo da média nacional de 36%. O estado também aparece em terceiro lugar no país em roubos de celular. Em 2025, foram registrados 270 feminicídios no estado, o maior número da série histórica.

Participaram do evento o candidato a vice, Márcio França (PSB), os candidatos ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), e o deputado estadual Emídio de Souza, que coordena o programa de governo.

A escolha do tema para o primeiro grande lançamento programático não é acidental. Segurança pública tem aparecido no topo das preocupações do eleitorado paulista, e é o terreno em que a direita costuma ter vantagem na disputa. O Resenhando mostrou que o assunto dominou o primeiro debate entre os candidatos ao governo paulista.

O que o plano não detalha

O plano não apresenta custo estimado das medidas nem prazo de implementação da agência antifacção, que dependeria de projeto de lei na Assembleia Legislativa para ser criada como estrutura permanente do Executivo estadual. Também não há detalhamento sobre o efetivo necessário nas duas forças-tarefa nem sobre a origem dos recursos para a melhoria salarial prometida à carreira policial.

A conta pública da segurança em São Paulo já é a maior do país entre as unidades da federação, e qualquer ampliação de efetivo ou de estrutura disputa espaço no orçamento com saúde e educação. Nenhuma das medidas anunciadas veio acompanhada de estimativa de gasto anual.

O placar trimestral de crimes resolvidos é a medida de efeito mais imediato do pacote, porque não depende de lei nem de contratação: basta a Secretaria da Segurança Pública publicar os índices que já apura. É também a que expõe mais rápido o desempenho do próprio governo, já que a taxa de elucidação de roubo e furto é historicamente baixa em todo o país.

Os adversários de Haddad na disputa não se manifestaram sobre o programa até a publicação desta reportagem.

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