Tarcísio e Haddad nacionalizam o primeiro debate em São Paulo
Governador cobrou o adversário pela economia do governo federal; ex-ministro voltou ao nome de Bolsonaro para marcar a disputa
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) nacionalizaram o primeiro debate televisivo da disputa paulista, realizado neste domingo, 9, pela Band e transmitido também por TV Cultura, TV Gazeta e Jovem Pan. Apenas os dois primeiros colocados nas pesquisas participaram do encontro.
Candidato à reeleição, Tarcísio buscou associar o adversário à condução da economia no governo federal e defendeu o legado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Haddad, por sua vez, questionou os quatro anos da gestão estadual e voltou repetidamente aos nomes de Lula e de Bolsonaro para marcar posição.
O governador afirmou ter "gratidão" a Bolsonaro pela abertura das portas para sua trajetória política. Haddad usou a imagem do boné para responder às críticas sobre alinhamento externo: "boné certo na cabeça, boné do Brasil, colocar o chapéu de brasileiro".
Os números que apareceram no palco
Boa parte do confronto girou em torno de indicadores. Entre os dados citados durante o debate:
- São Paulo cresceu 0,4% no primeiro trimestre de 2026, contra 2,3% do país
- A Prefeitura de São Paulo teria R$ 80 bilhões em caixa e R$ 50 bilhões em novas dívidas
- O Túnel Santos-Guarujá terá 84% de aporte estadual e 16% da União, segundo Tarcísio
Juros, endividamento e crédito ocuparam o bloco de economia. Segurança pública, ICMS sobre combustíveis, educação e as tarifas impostas pelos Estados Unidos também entraram na pauta.
Haddad questionou um contrato de Wi-Fi municipal e disse que o caso "cheira mal". O governador respondeu concentrando as críticas na política econômica do governo federal durante o período em que o adversário comandou a Fazenda.
Por que a disputa paulista virou nacional
São Paulo é o maior colégio eleitoral do país e concentra a maior fatia do Produto Interno Bruto. A presença de um governador cotado para voos maiores e de um ex-ministro da Fazenda no mesmo palco transformou o debate estadual em prévia da disputa presidencial.
A estratégia dos dois foi simétrica. Tarcísio puxou o adversário para o balanço da economia federal. Haddad puxou o governador para a herança política do ex-presidente. Nenhum dos dois tratou a eleição como assunto restrito ao estado.
O formato, com apenas dois participantes, ampliou o tempo de réplica e reduziu a dispersão típica de debates com pauta estadual pulverizada.
Leia também: Republicanos homologa Tarcísio para a reeleição em São Paulo.
Novas rodadas de debates estão previstas no calendário eleitoral até o primeiro turno, em outubro. As propostas apresentadas no palco devem constar dos planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral, documentos públicos disponíveis no sistema DivulgaCand.