São Paulo é o primeiro a sentir efeitos de retração, diz Tarcísio
Governador falou no ABDIB Fórum Eleições 2026 e citou prudência fiscal para explicar o ritmo de liberação de projetos
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira, 25, que o estado é o primeiro a sentir os efeitos de uma retração da economia brasileira. A declaração foi dada no ABDIB Fórum Eleições 2026, promovido pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base, no bairro Chácara Santo Antônio, na capital paulista.
Ao justificar o ritmo dos investimentos do governo estadual, Tarcísio associou o peso econômico de São Paulo à exposição do estado ao ciclo nacional.
São Paulo representa 1/3 da economia do Brasil. São Paulo é o 1º a sofrer efeitos adversos de uma retração. A gente tem a maior produção industrial do Brasil aqui, 26% da indústria está aqui
Os dois percentuais foram citados pelo próprio governador durante a fala e não vieram acompanhados de fonte no evento.
O efeito sobre a carteira de projetos
Tarcísio disse que a retração se reflete na arrecadação estadual e usou o argumento para explicar a cadência com que novos projetos são liberados.
E isso obviamente tem uma repercussão também em termos de receita. Então a gente tem que ser prudente. Então, tem o princípio da prudência. Na medida que a gente vai liberando espaço, vai encerrando ciclos, encerrando projetos ou percebendo uma melhora da situação fiscal, a gente pode dar marcha numa grande carteira de projetos
O governador não apresentou números da arrecadação paulista no período nem indicou quais projetos estariam represados à espera de espaço fiscal. Também não citou prazo para a retomada da carteira.
O que os indicadores nacionais mostram
A leitura de desaceleração encontra respaldo em indicadores divulgados nas últimas semanas. O IBC-Br, índice de atividade do Banco Central conhecido como prévia do PIB, recuou 0,6% em junho, com a indústria puxando a queda. A FGV, em seu monitor do PIB, estimou alta de 0,3% no segundo trimestre e apontou perda de ritmo da atividade.
No lado fiscal, a Instituição Fiscal Independente calculou déficit estrutural de 1,4% do PIB e despesas em alta em seu relatório de agosto. O quadro combina juros elevados, crédito caro e arrecadação sob pressão, ambiente que atinge com mais intensidade estados de base industrial.
Os dois indicadores citados medem coisas diferentes e por isso costumam aparecer juntos na leitura do ciclo. O IBC-Br é calculado mensalmente pelo Banco Central e combina proxies de produção da indústria, do comércio e dos serviços, o que permite antecipar a direção do PIB antes da divulgação trimestral do IBGE. O monitor da FGV estima o próprio PIB com periodicidade mensal, a partir das contas nacionais.
Para um governo estadual, a transmissão do ciclo chega pela arrecadação. O ICMS, principal tributo dos estados, incide sobre circulação de mercadorias e serviços e responde com rapidez à queda de produção e de consumo. Estados com base industrial concentrada sentem essa oscilação antes dos que dependem de transferências, o que sustenta a lógica do argumento apresentado pelo governador, ainda que ele não tenha exibido os números paulistas no evento.
Tarcísio é candidato à reeleição ao governo paulista. O Republicanos confirmou o nome dele em convenção e manteve neutralidade formal na disputa presidencial. O ABDIB Fórum reuniu candidatos e representantes do setor de infraestrutura para tratar de investimento e regulação no próximo ciclo de governo.
Não houve manifestação do governo federal sobre a declaração até a publicação desta reportagem.
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