Petrobras negocia quatro blocos em Gana e amplia frente na Africa
Areas ficam na Bacia de Keta, no litoral ganes; estatal ja tem participacao na Namibia, em Sao Tome e Principe e na Africa do Sul
A Petrobras negocia contratos para explorar quatro blocos na Bacia de Keta, area maritima de Gana, no oeste da Africa. A informacao foi divulgada pela Agencia Brasil em 21 de agosto e integra a estrategia da estatal de abrir novas fronteiras de producao de oleo e gas fora do Brasil.
A negociacao e direta, feita com o governo ganes, e esta na fase anterior a producao. A empresa nao divulgou o percentual de participacao que pretende assumir nos blocos, os parceiros do consorcio nem os valores envolvidos.
A Bacia de Keta fica na porcao leste do litoral de Gana, proxima a fronteira com o Togo. O pais e produtor de petroleo desde 2010 e concentra sua producao em campos offshore.
Onde a estatal ja esta na Africa
Gana entra em uma carteira africana que a Petrobras vem montando por meio de participacoes em blocos operados por outras companhias:
- Namibia: Bloco 2613, operado pela TotalEnergies;
- Sao Tome e Principe: quatro blocos, tres deles operados pela Shell;
- Africa do Sul: bloco Deep Western Orange Basin, tambem operado pela TotalEnergies.
O padrao se repete: a estatal entra como socia em areas operadas por grandes companhias internacionais, o que dilui o custo e o risco da fase exploratoria, quando a chance de o poco nao encontrar reservas comerciais e alta.
A margem equatorial africana, faixa que vai de Gana a Namibia, e comparada por geologos a margem equatorial brasileira, no litoral norte do pais, por terem se formado antes da separacao dos continentes. Essa semelhanca geologica e o argumento tecnico que sustenta o interesse das petroleiras brasileiras na costa oeste da Africa.
A fase exploratoria nao garante producao. Um contrato de exploracao autoriza a empresa a fazer levantamentos sismicos e perfurar pocos pioneiros; so depois de confirmada a viabilidade comercial da reserva e que se discute o desenvolvimento do campo, etapa que exige investimento muito maior e prazo de anos.
As frentes fora do continente
Alem da Africa, a companhia mantem frentes na Argentina, na Bolivia, na Colombia e nos Estados Unidos, e firmou cooperacao estrategica com a Pemex, a estatal mexicana, no Golfo do Mexico.
A logica da expansao internacional e de reposicao de reservas. Os campos do pre-sal respondem hoje pela maior parte da producao brasileira, mas todo campo tem curva de declinio, e a decisao de investir em exploracao fora do pais mira producao que so entra em operacao daqui a anos.
No pre-sal, o campo de Tupi chegou a 4 bilhoes de barris de oleo equivalente produzidos, marca divulgada pela estatal neste mes.
Informacoes da Agencia Brasil, publicadas em 21 de agosto de 2026.