Elias Rosa e Greer se reúnem nesta semana para tratar do tarifaço
Encontro foi acertado após telefonema entre Lula e Trump na sexta-feira; tarifa sobre produtos brasileiros chega a 37,5%
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, vai se reunir nesta semana com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para retomar a negociação sobre as tarifas americanas aplicadas a produtos brasileiros. O encontro foi acertado depois de telefonema entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump na sexta-feira, 21.
A informação foi divulgada pela Agência Brasil na noite de sexta-feira. Segundo o MDIC, a pasta recebeu contato do escritório do United States Trade Representative (USTR) após a conversa entre os dois presidentes. Representantes do Ministério das Relações Exteriores também participarão da reunião, cuja data ainda depende de confirmação pelas equipes dos dois governos.
As tarifas em vigor chegam a 37,5% e resultam da soma de duas medidas. A sobretaxa de 25% foi imposta em julho e, na semana seguinte, os Estados Unidos anunciaram um adicional de 12,5%, que passou a valer em 24 de julho. Pela estimativa da Confederação Nacional da Indústria, cerca de 4.060 produtos brasileiros são atingidos, o equivalente a US$ 10,8 bilhões em exportações.
Alguns setores ficaram de fora da taxação. A lista de exceções inclui aeronaves civis, energia, suco de laranja, ferro-gusa, metais preciosos, celulose e fertilizantes.
O que está na mesa
Depois do telefonema, Lula comentou a conversa com Trump.
"Os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos."
O governo brasileiro trabalha em duas frentes desde a entrada em vigor da sobretaxa. Uma é a negociação bilateral, agora retomada com a conversa entre Elias Rosa e Greer. A outra é a Lei da Reciprocidade Econômica, a Lei 15.122, que autoriza o Brasil a adotar contramedidas contra países que imponham barreiras unilaterais a produtos nacionais. A Câmara de Comércio Exterior (Camex) abriu em 13 de agosto o processo de reciprocidade previsto na lei, etapa que antecede qualquer contramedida.
Entidades do setor produtivo pedem cautela nessa frente. A Amcham defendeu publicamente que o Brasil evite aplicar a reciprocidade contra os Estados Unidos.
O quadro da disputa comercial:
- Tarifa atual: até 37,5% sobre produtos brasileiros
- Vigência: 25% desde julho, mais 12,5% a partir de 24 de julho
- Produtos atingidos: cerca de 4.060, segundo a CNI
- Valor exposto: US$ 10,8 bilhões em exportações
- Exceções: aeronaves civis, energia, suco de laranja, ferro-gusa, metais preciosos, celulose e fertilizantes
O Brasil também acionou a Organização Mundial do Comércio contra a medida americana, e os Estados Unidos aceitaram abrir consultas, primeira fase do procedimento de solução de controvérsias. A China pediu para participar do caso como terceiro interessado.
Integrantes do governo já haviam sinalizado que a solução do impasse dificilmente sairia antes de outubro. Em 19 de agosto, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, disse esperar a retomada da diplomacia normal com os Estados Unidos depois da eleição. No dia anterior, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, havia afirmado que o Brasil não depende do mercado americano e vai buscar compradores em outros destinos.
Também em agosto, a ApexBrasil reservou R$ 210 milhões para atender exportadores atingidos pela sobretaxa, e centrais sindicais entregaram ao MDIC um pacote de propostas de resposta ao tarifaço.
O Resenhando detalhou a retomada das tratativas e a lista de exceções no início do mês.
Nem o MDIC nem o USTR divulgaram até esta segunda-feira a data, o local e o formato do encontro. A agenda ocorre a seis semanas do primeiro turno das eleições brasileiras, marcado para 4 de outubro.