Ministro discute com a China aumento na frequência de voos entre os países
Tomé Franca, ministro de Portos e Aeroportos, tratou do tema com o regulador chinês em Pequim. Hoje são quatro frequências semanais.
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, discutiu com o regulador chinês de aviação civil a ampliação da frequência de voos entre Brasil e China. O encontro ocorreu em Pequim nesta terça-feira, 25, e foi informado pelo Poder360.
Segundo o ministro, ele "conversou com o órgão regulador da aviação chinesa a possibilidade de aumentar a frequência de voos entre Brasil e China". O interlocutor é a CAAC, a Administração da Aviação Civil da China, autoridade equivalente à Agência Nacional de Aviação Civil brasileira.
A ligação direta entre os dois países tem hoje quatro frequências semanais, todas operadas pela Air China. Não há companhia brasileira na rota.
Franca não informou qual seria a nova frequência pretendida, se há acordo bilateral em negociação nem prazo para conclusão das conversas. Também não detalhou se o pedido brasileiro inclui a abertura de novos pontos de origem no país além de São Paulo.
O que está em jogo na rota
A China é o principal parceiro comercial do Brasil e responde pela maior fatia das exportações do agronegócio, mas a conexão aérea direta segue restrita. Quatro voos semanais é um número baixo para a corrente de comércio entre as duas economias, e boa parte do fluxo de passageiros e de carga aérea de alto valor passa por conexões na Europa ou no Oriente Médio, com custo e tempo adicionais.
Ampliar frequências depende de entendimento entre autoridades de aviação civil dos dois países, que definem quantos voos cada lado pode operar, para quais cidades e com quais companhias. É negociação de Estado, não decisão comercial de empresa.
O instrumento que rege esse tipo de acordo é o ato bilateral de serviços aéreos. Ele fixa o número máximo de frequências semanais por lado, os pontos de origem e destino autorizados e as condições de operação. Uma companhia só pode abrir rota internacional dentro do que o acordo permite, e o teto vale para todas as empresas do país, não para cada uma delas.
Do lado brasileiro, a execução cabe à Agência Nacional de Aviação Civil, que homologa a operação depois que o acordo é fechado. O ministério conduz a negociação diplomática e técnica.
Quem conduz a pasta
Tomé Franca assumiu o Ministério de Portos e Aeroportos em 1º de abril de 2026, no lugar de Silvio Costa Filho, que deixou o cargo para cumprir a legislação eleitoral. Ele era secretário-executivo da pasta e já havia sido secretário nacional de Aviação Civil.
Entre as prioridades anunciadas pelo ministério para 2026 estão leilões nos setores portuário, aeroportuário e hidroviário, com previsão de cerca de R$ 17,2 bilhões em investimentos.
A agenda em Pequim ocorre em um momento de tensão comercial em outras frentes da relação bilateral, como a tarifa adicional de 55% aplicada pela China à carne bovina brasileira fora da cota.
O Ministério de Portos e Aeroportos não divulgou nota com o detalhamento da reunião até a publicação desta reportagem. A Anac também não informou se participa da negociação.
O que o ministério já sinalizou para o setor
A agenda internacional do MPor em 2026 tem se concentrado em duas frentes: destravar investimento em infraestrutura por meio de leilão e ampliar conectividade aérea com mercados que puxam comércio. A viagem a Pequim se encaixa na segunda.
Ampliar a malha para a Ásia é pauta antiga de exportadores de carga aérea de alto valor, como frutas, pescado e produtos farmacêuticos, que dependem de porão de aeronave de passageiro para chegar ao destino em prazo curto. Cada frequência semanal adicional significa capacidade nova de porão, além de assento.
Sem número de meta e sem prazo divulgados, porém, a conversa relatada pelo ministro segue no campo da intenção. O passo seguinte, caso o Brasil formalize o pedido, é a rodada de negociação entre as autoridades aeronáuticas, que precisa terminar em ato assinado pelos dois lados para produzir efeito.