Flávio Bolsonaro e Lula fazem atos no Rio com foco em segurança
Senador discursou no Maracanãzinho e o presidente, no Estádio Moça Bonita, na Zona Oeste, no mesmo sábado, 22
Os candidatos à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizaram atos de campanha no Rio de Janeiro neste sábado, 22, com discursos centrados em segurança pública. As informações foram divulgadas pela Gazeta do Povo.
O senador Flávio Bolsonaro discursou no ginásio do Maracanãzinho, na zona norte da cidade. O presidente Lula participou de ato no Estádio Moça Bonita, na Zona Oeste carioca.
No Maracanãzinho, Flávio Bolsonaro estava acompanhado de Douglas Ruas, candidato do PL ao governo do Rio de Janeiro, e dos candidatos do partido ao Senado pelo estado, Carlos Portinho e Carlos Jordy.
O que disse cada candidato
O senador prometeu classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas e usou expressões de confronto direto ao tratar de facções.
"Esses caras vão mofar na cadeia ou, se enfrentarem, vão ser neutralizados", afirmou Flávio Bolsonaro no ato.
Em outro trecho do discurso, o candidato do PL disse que "o bandido vai ser tirado de circulação, em pé ou deitado". Ele também citou o uso de crianças pelo tráfico para operar drones com explosivos.
O PL disputa, no mesmo estado, o governo e as duas vagas do Senado, o que explica a presença dos três candidatos ao lado do postulante à Presidência no palanque do ginásio.
No ato da Zona Oeste, Lula defendeu a aprovação da PEC da Segurança e prometeu criar um Ministério da Segurança Pública. O presidente marcou distância do modelo de confronto direto defendido pelo adversário.
"Não vamos fazer carnaval, pirotecnia, matar 100 ou 200", disse Lula, ao se comprometer com uma abordagem sem ações de caráter espetacular.
A disputa pelo tema no estado
O Rio de Janeiro é o terceiro maior colégio eleitoral do país, com 12.857.000 eleitores aptos a votar em 2026, o equivalente a 8,10% do eleitorado nacional, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Fica atrás apenas de São Paulo e de Minas Gerais.
Os dois candidatos escolheram o mesmo dia e a mesma cidade para tratar de segurança pública, em espaços separados por poucos quilômetros. O Maracanãzinho fica na zona norte, no complexo esportivo do Maracanã. O Estádio Moça Bonita fica na Zona Oeste da cidade.
A PEC da Segurança citada por Lula tramita no Congresso e trata da divisão de competências entre União, estados e municípios na área. A criação de um Ministério da Segurança Pública, também mencionada pelo presidente, depende de reorganização administrativa que passa pelo Legislativo.
A classificação de facções como organizações terroristas, defendida por Flávio Bolsonaro, depende de alteração legal e é objeto de projetos em análise no Congresso. A Lei 13.260, de 2016, que define terrorismo no Brasil, exclui de seu alcance condutas motivadas por finalidade que não seja a de provocar terror social ou generalizado.
Nenhuma das duas propostas pode ser implementada por ato isolado do Executivo federal. Ambas dependem de aprovação parlamentar, o que coloca a composição do próximo Congresso como fator central para qualquer dos dois programas.
A segurança pública é, pela Constituição, atribuição compartilhada. As polícias civis e militares são estaduais, comandadas pelos governadores. A União atua pela Polícia Federal, pela Polícia Rodoviária Federal e pelo financiamento por meio do Fundo Nacional de Segurança Pública.
Essa divisão explica por que os dois candidatos precisam de aliados nos estados para executar o que prometem. No Rio, Flávio Bolsonaro apoia Douglas Ruas, do próprio PL, na disputa pelo governo estadual.
O primeiro turno da eleição está marcado para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro. Além da Presidência, estão em disputa os governos estaduais, duas vagas por estado no Senado e as bancadas na Câmara e nas assembleias.