Política

Dez partidos do centrão combinam votar reforma eleitoral na primeira semana de novembro

Grupo quer mudar a regra antes da posse e reduzir o efeito de puxadores de voto como Nikolas Ferreira; modelo ainda não foi escolhido

Dez partidos do centrão combinaram, nesta quarta-feira, 14, votar uma mudança no sistema eleitoral na primeira semana de novembro, antes da posse dos deputados eleitos em outubro. O objetivo, segundo a Folha de S.Paulo, é reduzir o peso dos candidatos que arrastam outros com sua votação, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), e preservar a força dos partidos de centro. Ainda não há acordo sobre qual modelo será adotado.

O entendimento foi discutido em reunião na residência oficial do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), cuja condução da pauta da Câmara o Resenhando acompanha. Participaram líderes e presidentes de PSD, Republicanos, MDB e Podemos e das federações União Brasil-PP, PSDB-Cidadania e PRD-Solidariedade. No mesmo encontro, os partidos divulgaram nota de apoio à reeleição de Motta no comando da Casa, segundo a Agência Câmara.

Por que o centrão quer mudar a regra agora

No modelo atual, de lista aberta, os votos de todos os candidatos de um partido ou federação são somados para definir quantas cadeiras a legenda terá. As vagas vão para os mais votados, desde que cada um tenha ao menos 10% do quociente eleitoral do estado. Pelo cálculo da Folha, esse mecanismo ajudou bolsonaristas: Nikolas e Pavanato foram eleitos com mais de 3 milhões de votos cada. O mineiro garantiu, sozinho, mais 13 deputados do PL em Minas Gerais, e o paulista levou outros 7 colegas para a Câmara.

O resultado é que o PL terá 121 deputados federais na próxima legislatura, a maior bancada desde 1990, contra 99 na atual. O centrão perdeu mais de 20 cadeiras. Só a federação entre União Brasil e PP cai de 97 para 87 deputados. Somados, os dez partidos têm hoje 271 votos e passariam a 252, abaixo da maioria de 257 na Câmara.

Em nota, os partidos se comprometeram a atuar de forma conjunta. A Agência Câmara informa que o bloco majoritário da Casa, formado por União, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania e Podemos, será mantido a partir de fevereiro de 2027, com 240 deputados. Segundo a Folha, Motta disse que os partidos de centro precisam entender como sobreviver na "selva política" depois da onda de direita.

Os dois modelos em discussão

Parte do grupo defende o distrital misto, em que metade dos deputados é escolhida por votação em distritos e a outra metade por lista de partido, fechada ou aberta. Essa mudança, segundo o centrão, poderia ser feita por projeto de lei, e um texto já é negociado pelo deputado Domingos Neto (PSD-CE). Críticos do modelo dizem que ele estimula currais eleitorais, e parte do centrão resiste por avaliar que os governadores ganhariam peso nas eleições.

Outra ala prefere o distritão, em que são eleitos os mais votados, independentemente do desempenho do partido. A mudança exige emenda à Constituição, com 308 votos entre os 513 deputados. A proposta foi tentada em 2015, na gestão de Eduardo Cunha (então no MDB, hoje no Republicanos), e rejeitada por 267 votos a 210. Partidos maiores, como o PT, costumam combater o distritão, assim como congressistas que dependem dos votos de outros candidatos para renovar o mandato.

Uma nova reunião do grupo foi marcada para o dia 28, três dias depois do segundo turno presidencial, para escolher o modelo. A intenção é convencer parte dos partidos de esquerda e centro-esquerda a endossar a mudança e votar antes da posse. A reportagem da Folha não registra posicionamento do PL sobre a proposta.

Fontes: Folha de S.Paulo, reportagem de Raphael Di Cunto, republicada pelo Jornal de Brasília em 15 de outubro de 2026, e Agência Câmara, de 14 de outubro de 2026.