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Mais de 40 países reconhecem vitória de Lula; Trump e Milei ficaram de fora

Macron, Sánchez, Noboa, Putin e a China saudaram Lula; Trump e Milei ficaram calados até segunda de manhã. Veja o que cada líder disse.

Neste texto3 tópicos
  1. O que cada governo disse?
  2. Quem não se manifestou, e o que Trump falou depois?
  3. O que a lista mostra?

Mais de 40 países já reconheceram publicamente a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo o Jornal de Brasília, e a lista inclui os governos de China, Rússia, Índia, França, Canadá, Japão e México. Dois nomes ficaram de fora até a manhã desta segunda-feira, 26: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o da Argentina, Javier Milei. Lula venceu o segundo turno de domingo, 25, com mais de 64 milhões de votos, contra 59,8 milhões do senador Flávio Bolsonaro (PL), conforme a Agência Brasil.

O que cada governo disse?

A Agência Brasil reuniu as mensagens publicadas ao longo do dia. A tabela abaixo organiza as principais, com o teor de cada uma.

Líder ou governoO que disse
Emmanuel Macron (França)"A França e o Brasil têm muito a construir juntos"; propôs reforçar a parceria estratégica
Pedro Sánchez (Espanha)"Grande vitória de Lula! O que aconteceu no Brasil acontecerá na Espanha"
Daniel Noboa (Equador)Citou "inimigos comuns" e desafios compartilhados da região
Mark Carney (Canadá)Falou em novas oportunidades de comércio e na proteção do meio ambiente
Sanae Takaishi (Japão)Quer avançar no acordo entre Japão e Mercosul
Governo da ChinaPelo porta-voz da chancelaria, disse estar pronto para trabalhar com o Brasil
Vladimir Putin (Rússia)Citou o reconhecimento dos brasileiros às "notáveis qualidades de liderança" de Lula
Ursula von der Leyen (Comissão Europeia)"A democracia e o multilateralismo venceram no Brasil"

O Jornal de Brasília acrescenta a manifestação do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, que prometeu fortalecer a cooperação e as prioridades do Sul Global, e a do presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, que chamou o resultado de "vitória para o Sul Global e para as forças progressistas". Claudia Sheinbaum (México) e Yamandú Orsi (Uruguai) também enviaram mensagens. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, citou a contribuição de Lula para as relações bilaterais e para o BRICS.

Quem não se manifestou, e o que Trump falou depois?

Trump e Milei ainda não haviam comentado o resultado na manhã de segunda, segundo o Jornal de Brasília. Ainda na segunda, o presidente americano falou com jornalistas e questionou a eleição brasileira. Disse que a votação "pareceu ruim, o jeito que foi organizada, com a prorrogação", em referência à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender o horário de votação até as 19h por causa de restrições no transporte coletivo, a pedido das duas campanhas, segundo a Agência Brasil. Trump afirmou que a eleição "pareceu fraudada", sem aprofundar, e acrescentou: "Eu não governo o Brasil, eu governo os Estados Unidos. Eu gosto do Lula, me dou muito bem com ele."

O vice-presidente reeleito, Geraldo Alckmin (PSB), respondeu que a opinião é "totalmente equivocada" e que "não se interfere na política de outro país". Ele disse que o governo vai seguir negociando com os Estados Unidos, depois do tarifaço, e citou os acordos do Mercosul com Singapura e com a União Europeia.

O que a lista mostra?

Há líderes de campos opostos entre os que felicitaram Lula. Noboa é de direita e aliado de Trump na América do Sul, como lembra a Agência Brasil, e mesmo assim saudou o resultado. Já a mensagem de Sánchez trata a vitória como sinal de uma "virada do progressismo global". Em Nova York, o prefeito Zohran Mamdani disse ter visto moradores gritando o nome de Lula na rua após o resultado.

No plano interno, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu o resultado em nota na segunda, mas pediu esclarecimentos sobre a ampliação de gastos públicos antes da votação. Flávio Bolsonaro havia dito que não reconheceria a derrota. Nas relações exteriores, o próximo passo é a retomada da negociação tarifária com Washington, que Alckmin disse que continuará.