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Inflação da Argentina sobe a 2,1% em julho e afasta a meta de Caputo

Indec registrou alta acima do 1,9% de junho; no ano o índice acumula 19,3% e, em doze meses, 33,8%

O Instituto Nacional de Estadística y Censos (Indec) divulgou na quinta-feira, 13 de agosto, em Buenos Aires, que o Índice de Preços ao Consumidor da Argentina subiu 2,1% em julho, acima do 1,9% registrado em junho. No ano, o índice acumula alta de 19,3%, e em doze meses chega a 33,8%.

O resultado interrompeu três meses seguidos de desaceleração. Pela série do próprio Indec, a variação mensal caiu de 3,4% em março para 2,6% em abril, 2,1% em maio e 1,9% em junho, o menor nível desde agosto de 2025. Julho devolveu o índice ao patamar de maio.

Entre as categorias, o núcleo do índice, que exclui itens sazonais e preços regulados, subiu 1,8%. Os sazonais avançaram 4,5%, puxados por verduras, pacotes turísticos e serviços de hospedagem. Os regulados subiram 2,1%, com aumentos em transporte público, mensalidades de planos de saúde e eletricidade. Bens ficaram em 1,6% e serviços, em 3,1%.

A divisão de maior alta no mês foi recreação e cultura, com 5,0%, seguida por restaurantes e hotéis, com 2,8%. As menores variações vieram de vestuário e calçados, com queda de 1,3%, e bebidas alcoólicas e tabaco, com 1,5%. Nas regiões da Grande Buenos Aires, Nordeste, Noroeste, Pampeana e Patagônia, o item de maior peso na variação mensal foi alimentos e bebidas não alcoólicas, que subiu 2,0% no país, com aumentos em verduras, lácteos e pães e cereais. Em Cuyo, o maior peso foi transporte.

A meta que o governo colocou em agosto

O número de julho afasta a expectativa oficial de que o índice mensal começasse com zero a partir de agosto. Em 13 de março, ao canal de notícias TN, o ministro da Economia, Luis Caputo, ratificou que a inflação furaria a barreira de 1% ao mês em 2026, mas admitiu atraso no calendário: "Se não for agosto, será setembro ou outubro", disse.

Na mesma entrevista, concedida depois de sua volta do Argentina Week, nos Estados Unidos, Caputo afirmou que "a inflação vai terminar convergindo aos níveis internacionais, mais tarde ou mais cedo" e que considera "muito difícil prever o quando nos índices". Para o mês que a promessa mirava, o governo ainda não tem dado: o IPC de agosto só será divulgado em setembro.

O pacote de reformas que corre em paralelo

A trajetória de preços é o indicador com que o governo argentino sustenta a agenda legislativa apresentada em 1º de março, no discurso de abertura das sessões ordinárias do Congresso. Na ocasião, Milei anunciou que enviaria 90 pacotes de reformas estruturais ao longo do ano, distribuídos entre as áreas tributária, penal, eleitoral, educacional, judicial e de defesa.

Segundo a Infobae, cada ministério ficou encarregado de montar dez projetos, para envio gradual às duas Casas. O anúncio veio depois da aprovação da reforma trabalhista pelo Congresso, no fim de fevereiro, a maior vitória legislativa do governo até aqui, e o próprio Milei condicionou a redução de impostos ao espaço que o superávit fiscal abrir.

Nenhum dos pacotes seguintes foi votado até agora. No Senado, o governo recuou em julho e retirou o projeto que limitava a compra de terras por estrangeiros, um dos textos que integravam a leva.

A inflação também condiciona a negociação comercial com Washington. A Argentina paga tarifa menor que a brasileira nas exportações aos Estados Unidos, e a diferença entre os dois países chegou a 10% contra 37,5% no pacote da Seção 301. Pela proclamação assinada por Donald Trump em 1º de junho e publicada no Federal Register em 4 de junho, produtos argentinos de aço e alumínio ficaram fora da alíquota geral de 25% e passaram a pagar a tarifa da Coluna 1 da tabela americana, tratamento estendido a Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Suíça e países da União Europeia.

O Indec informou que o levantamento cobre as seis regiões estatísticas do país. O instituto não divulga projeção para os meses seguintes.

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