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Coalizão saudita manda civis deixarem área de petroleira em Saná, e houthis dizem que local foi atacado

A coalizão pediu que civis deixassem a área de uma petroleira em Saná; houthis dizem que o local foi atacado e ameaçam alvos sauditas, informa a AFP.

Neste texto4 tópicos
  1. O que os houthis ameaçaram em resposta
  2. Filas por combustível em Saná
  3. A pressão sobre a economia saudita
  4. Guerra em terra e crise humanitária

A coalizão liderada pela Arábia Saudita mandou civis deixarem a vizinhança de uma instalação da Companhia Petrolífera do Iêmen, nos arredores de Saná, e os houthis disseram que o local foi atacado nesta terça-feira, 13. É a primeira ordem de evacuação para a capital iemenita desde a retomada dos combates, segundo a agência AFP.

Um correspondente da AFP em Saná relatou ter ouvido uma explosão. O canal Al Masira, ligado aos houthis, afirmou que a "agressão saudita" tinha como alvo a empresa petrolífera em Al-Sabaha, a oeste da cidade. A coalizão não detalhou, até a publicação da agência, o que foi atingido.

O que os houthis ameaçaram em resposta

Antes do ataque, o grupo pró-Irã havia avisado que qualquer agressão teria uma resposta "dura e dolorosa". O porta-voz militar Yahya Saree pediu, na rede X, que os cidadãos se afastassem dos alvos que as forças houthis pretendem atingir caso o "inimigo saudita" ataque. Ele citou o aeroporto internacional de Riade, uma refinaria e uma instalação da Aramco em Dammam.

A ameaça vem depois do ataque de sábado ao aeroporto de Riade, que deixou 13 mortos segundo a AFP. Balanços anteriores publicados sobre o caso falavam em 12 mortos; a contagem da agência é a mais recente. Para o maior exportador mundial de petróleo, foi um novo golpe numa série de ofensivas contra aeroportos e instalações de energia do reino.

A coalizão afirmou que suas forças interceptaram três drones ao norte de Riade nesta terça. Na véspera, explosões fortes foram ouvidas à noite na capital saudita. Os houthis repetiram que o espaço aéreo da Arábia Saudita não é seguro.

Filas por combustível em Saná

Com medo de desabastecimento, moradores de Saná fizeram filas em postos de gasolina depois do alerta da coalizão, de acordo com a AFP. A Companhia Petrolífera do Iêmen tentou tranquilizar a população: disse ter tomado as precauções necessárias para uma emergência e que as reservas estão "em instalações e locais seguros", em quantidade suficiente para atender à demanda por longos períodos.

Em Riade, o trânsito, normalmente congestionado, diminuiu de forma visível nesta semana. Entrou em vigor o ensino à distância em todas as escolas, e algumas empresas receberam ordem de adotar o trabalho remoto, relataram jornalistas da agência.

A pressão sobre a economia saudita

Os ataques chegam num momento em que o reino já sentia os efeitos do conflito regional, em especial as restrições impostas pelo Irã ao trânsito pelo Estreito de Ormuz. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia saudita deve fechar o ano com contração de 3,3% do PIB, cinco pontos percentuais abaixo da previsão de julho. A projeção não inclui o impacto dos ataques mais recentes nem o controle que os houthis passaram a exercer sobre o Estreito de Bab el-Mandeb e a costa iemenita do Mar Vermelho, fatores que podem agravar o quadro.

Na segunda-feira, o Ministério da Energia saudita reconheceu que o país está sendo "posto à prova".

Guerra em terra e crise humanitária

Os combates seguem dentro do Iêmen entre os houthis e as forças do governo reconhecido internacionalmente, que Riade apoia militarmente desde 2015. Apesar dos bombardeios da aviação saudita, os combatentes apoiados pelo Irã apertaram o cerco a Taiz, terceira maior cidade do país. Segundo fontes militares dos dois lados, os confrontos deixaram mais de 60 mortos entre domingo e segunda-feira.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha pediu nesta terça uma "desescalada urgente" no Oriente Médio e alertou que a intensificação das hostilidades teria consequências "desastrosas" para dezenas de milhões de pessoas. A Organização Mundial da Saúde informa que os casos suspeitos de cólera no Iêmen triplicaram em três semanas, o que sobrecarrega hospitais que já recebem feridos da guerra.

O Resenhando já noticiou o ataque ao aeroporto de Riade, no sábado. Os fatos desta matéria foram divulgados pela AFP e reproduzidos pelo Jornal de Brasília. Os houthis e a coalizão saudita fazem afirmações opostas sobre os alvos atingidos, e o texto atribui cada versão a quem a fez.