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Atividade da Argentina cai 1,7% em agosto sobre 2025, mas sobe 0,1% em relação a julho

Indec registra segundo mês seguido de queda anual; Caputo cita tendência 6,6% acima de dezembro de 2023

Neste texto3 tópicos
  1. O que caiu e o que subiu
  2. A leitura do governo e a dos economistas
  3. Próximo dado

A atividade econômica da Argentina caiu 1,7% em agosto na comparação com o mesmo mês de 2025, informou o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) na quarta-feira, 21. Na série dessazonalizada, que compara com o mês anterior, o Estimador Mensual de Actividad Económica (EMAE) subiu 0,1%.

É o segundo mês seguido de queda sobre o ano anterior. Em julho, a retração foi de 1,5%. O acumulado de janeiro a agosto segue positivo, com alta de 1,2% sobre os mesmos oito meses de 2025, abaixo dos 1,7% acumulados até julho.

O que caiu e o que subiu

Segundo o relatório técnico do Indec, dez setores recuaram em agosto e cinco avançaram. Os dois que mais pesaram para baixo foram a indústria manufatureira (queda de 3,2%) e o comércio atacadista, varejista e de reparações (queda de 3,5%). Juntos, tiraram 0,9 ponto percentual da variação anual. A pesca teve a maior queda individual, de 15,7%.

Entre as altas, a mineração e a extração de petróleo cresceram 11,1%, e eletricidade, gás e água, 4,3%. Hotéis e restaurantes avançaram 3,1%. Os três somados acrescentaram 0,6 ponto percentual ao indicador.

O componente tendência-ciclo, que o Indec usa para filtrar oscilações pontuais, ficou estável em agosto, sem variação sobre julho.

A leitura do governo e a dos economistas

O ministro da Economia, Luis Caputo, destacou nas redes sociais o avanço mensal de 0,1% e afirmou que a tendência-ciclo está 6,6% acima do nível de dezembro de 2023, mês em que Javier Milei assumiu a Presidência. Caputo também citou as exportações agroindustriais: US$ 43,2 bilhões nos nove primeiros meses do ano, alta de 13% sobre 2025, com volume recorde, segundo o ministro.

A economista Clara Brenck, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), disse à Agência Brasil que a Argentina pode estar entrando em recessão. Para ela, os setores de petróleo, gás e mineração seguraram um resultado pior, mas dependem de preços internacionais. "O que está crescendo são coisas que não dependem da economia doméstica", afirmou. Brenck vinculou o quadro aos cortes de gastos e de impostos do governo Milei e disse não ver o investimento privado prometido.

A própria professora reconheceu um ponto favorável: a queda da inflação, que, segundo ela, ainda depende muito da variação do dólar.

Próximo dado

O Indec divulga o EMAE de setembro conforme o calendário anual publicado no site do instituto. Será o dado que mostra se a alta mensal de 0,1% de agosto se repete ou se a queda sobre o ano anterior chega ao terceiro mês.

Sobre a vizinhança, o Resenhando também registrou que o Chile tem desemprego de 9,6% e PIB parado sob Kast, e cobriu o rebaixamento da relação diplomática do Brasil com a Argentina. O relatório completo do Indec está na página do instituto, em indec.gob.ar.