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Pobreza na Argentina sobe a 32,3% e apaga um ano de queda, diz o Indec

Alta de 4,1 pontos no semestre leva o indicador acima do patamar do primeiro semestre de 2025

A pobreza na Argentina atingiu 32,3% das pessoas no primeiro semestre de 2026, informou o Indec na quinta-feira, 24. O índice subiu 4,1 pontos percentuais sobre o semestre anterior e ficou acima do de um ano antes.

O Instituto Nacional de Estadística y Censos (Indec) mediu 9,7 milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza dentro dos 31 aglomerados urbanos cobertos pela Pesquisa Permanente de Domicílios (EPH), onde vivem 30,1 milhões de argentinos. Projetado para o país inteiro, o dado equivale a cerca de 15,5 milhões de pessoas. Entre os domicílios, a pobreza passou de 21% para 24,4%.

A indigência, que mede quem não consegue comprar sequer a cesta básica de alimentos, subiu de 6,3% para 7,5% das pessoas, ou 2,2 milhões dentro do universo pesquisado. Entre os domicílios, ficou em 5,6%.

Como ficou a série desde 2023

O salto do primeiro semestre de 2026 interrompe uma sequência de quatro quedas seguidas. O pico da série recente foi o primeiro semestre de 2024, com 52,9%, logo depois da desvalorização do peso decidida no início do governo de Javier Milei. De lá para cá o indicador caiu para 38,1%, 31,6% e 28,2%, este último o piso do período.

Tabela com a pobreza e a indigencia na Argentina em cada semestre entre 2023 e 2026
A serie semestral mostra o pico no primeiro semestre de 2024 e a alta que interrompeu quatro quedas seguidas.Arte: Resenhando, com dados do Indec

A comparação que o comunicado oficial não destaca é com o mesmo semestre do ano anterior. No primeiro semestre de 2025 a pobreza era de 31,6% e a indigência, de 6,9%. Os 32,3% e os 7,5% de agora estão acima desses dois patamares, o que significa que a alta devolveu o indicador ao ponto em que ele estava doze meses atrás. A base de comparação importa porque a EPH é semestral e o próprio Indec recomenda confrontar semestres equivalentes.

O que o Indec aponta e o que diz o governo

O instituto atribui o resultado à distância entre renda e preço das cestas. No semestre, a renda familiar per capita média cresceu 11,5%, enquanto a cesta básica alimentar subiu 21,4% e a cesta básica total, 19,6%. Na comparação com um ano antes, a cesta básica total avançou 34,7% contra 25% da renda familiar.

O recorte por idade mostra a concentração de sempre: 44,5% das crianças e adolescentes de até 14 anos estão abaixo da linha de pobreza. Na faixa de 15 a 29 anos, o porcentual é de 36,9%.

A distribuição regional também é desigual. O Nordeste argentino registrou a maior incidência, com 41,5%, e a Patagônia, a menor, com 28,4%. Dentro da região metropolitana, a Cidade Autônoma de Buenos Aires ficou em 13,9%, enquanto a Grande Buenos Aires marcou 36,9%.

Os dados de pobreza saíram na mesma semana em que o Indec mediu queda de 2,9% na atividade econômica de julho ante junho, e poucos dias depois do levantamento que apontou o avanço de 2,1% da inflação em julho, que afastou a meta do próprio ministro da Economia.

Nas redes sociais, o ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, minimizou a alta. "Embora as taxas de pobreza e de indigência tenham aumentado 4,1 ponto percentual e 1,2 ponto percentual em relação ao semestre anterior, ambas as taxas registraram forte queda em relação ao primeiro semestre de 2024", escreveu.

Sobre a atividade econômica, Caputo afirmou que o acumulado dos sete primeiros meses do ano segue positivo, com alta de 1,7%, e atribuiu o recuo de julho a "diversos choques transitórios", entre eles a menor disponibilidade de gás para a indústria, chuvas e nevascas acima da média histórica na construção e na mineração e a redução de horas trabalhadas por causa da Copa do Mundo.

O resultado chega no momento em que o governo argentino defende a nova etapa de abertura comercial anunciada por Milei em agosto como o caminho para retomar o crescimento. O próximo dado de pobreza, referente ao segundo semestre de 2026, só será divulgado no fim de março de 2027, pelo calendário de difusão do instituto. Até lá, o indicador mensal a acompanhar é o da atividade econômica, publicado pelo próprio Indec na seção de pobreza e condições de vida.

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