Argentina: economia recua 1,7% em agosto e cresce 1,2% no acumulado do ano
Indec registra segundo mês de queda anual; indústria e comércio pesam, e mineração e energia sobem
A atividade econômica da Argentina recuou 1,7% em agosto na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo o Estimador Mensal de Atividade Econômica (EMAE), divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) na quarta-feira, 21. Na série dessazonalizada, que compara com julho, o índice subiu 0,1%.
É o segundo mês seguido de queda na base anual. Em julho, o Indec havia registrado retração de 1,5% sobre julho de 2025 e de 2,8% sobre junho, já sem efeito sazonal. No acumulado de janeiro a agosto, a economia ainda cresce 1,2% sobre o mesmo período do ano passado, abaixo dos 1,7% medidos até julho. A tendência-ciclo, que filtra as oscilações do mês, ficou estável, em 0,0%.
Quais setores puxaram o resultado
Dez dos setores que compõem o índice caíram na comparação anual, e cinco subiram. A maior queda percentual foi a da pesca (-15,7%), mas o peso no total veio de duas áreas grandes: a indústria manufatureira (-3,2%) e o comércio atacadista, varejista e de reparações (-3,5%). Juntas, tiraram 0,9 ponto percentual do resultado geral.
A agricultura e a pecuária recuaram 1,0%, e a construção, 2,5%. No lado positivo ficaram a mineração e a extração de petróleo (+11,1%), a eletricidade, gás e água (+4,3%) e hotéis e restaurantes (+3,1%). Os três somaram 0,6 ponto percentual ao índice, segundo o Indec.
O que dizem o governo e os economistas
O ministro da Economia, Luis Caputo, destacou o avanço de 0,1% sobre julho. Segundo a Agência Brasil, ele afirmou numa rede social que a tendência-ciclo está 6,6% acima do nível de dezembro de 2023, mês da posse do presidente Javier Milei, e citou exportações agroindustriais de setembro que seriam as maiores já registradas para o mês.
A economista Clara Brenck, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), disse à agência brasileira que o país pode estar entrando em recessão. Ela citou o aumento do desemprego e observou que os setores que crescem, como petróleo, gás e mineração, dependem de preços e demanda externos. Brenck também avaliou que os cortes de impostos feitos por Milei ainda não produziram o investimento prometido.
Por outro lado, o número oficial mostra que o indicador de tendência não piorou no mês, e que a soma de 2026 continua positiva. A comparação anual de agosto também enfrenta uma base alta: em agosto de 2025, o Indec havia medido alta de 2,1% sobre o ano anterior e um acumulado de 5,3%.
Os dados completos, com a série por setor desde 2004, estão no informe técnico do Indec. Para acompanhar o que acontece com os números da economia brasileira no mesmo período, veja a arrecadação federal de setembro e o IPCA-15 de outubro.
O Indec divulga o EMAE de setembro no próximo informe mensal. O número dirá se a Argentina emenda o terceiro mês de queda anual.