Chile de Kast tem desemprego de 9,6% e PIB parado no 2º trimestre, após sete meses de ajuste
Desocupação sobe 1 ponto em um ano; o FMI cortou a projeção de 2026 para 0,6%
O Chile do presidente José Antonio Kast fecha o sétimo mês de governo com desemprego de 9,6% e PIB sem crescimento no segundo trimestre. Os dados são do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) e do Banco Central do Chile, e contrariam a promessa de acelerar a economia por meio de corte de gastos e de impostos para empresas.
A taxa de desocupação ficou em 9,6% no trimestre móvel de junho a agosto, divulgada em 30 de setembro. É 1,0 ponto percentual acima do mesmo período de 2025. O número de desocupados subiu 13,0% e o de ocupados caiu 0,9%. A Agência Brasil situou esses números no terceiro trimestre; o INE os data em junho-agosto, e o PIB citado é o do segundo trimestre, a última divulgação do Banco Central.
O PIB chileno ficou estável entre abril e junho e recuou 0,2% na comparação com o ano anterior. No primeiro trimestre, a queda havia sido de 0,3% sobre os três meses anteriores e de 0,5% em 12 meses, segundo a Bloomberg, em despacho reproduzido pelo InfoMoney.
Kast tomou posse em 11 de março e prometeu levar o crescimento anual a 4% até o fim do mandato, contra cerca de 2,5% antes dele. O plano combina redução do imposto das empresas, incentivos ao investimento e enxugamento da máquina pública. Em maio, o ministro da Fazenda, Jorge Quiroz, projetava expansão um pouco acima de 2% em 2026 e esperava aprovar no Congresso o projeto que reduz a carga das empresas e subsidia a contratação.
O Fundo Monetário Internacional cortou em outubro a projeção de crescimento do país em 2026, de 1,8% para 0,6%, de acordo com a Agência Brasil.
O que pesa no resultado
O cobre responde por 40% a 50% das exportações chilenas, e a produção de janeiro a agosto está 8% abaixo da de 2025, segundo a Câmara de Mineração do Chile. A alta dos combustíveis, ligada à guerra no Oriente Médio, entrou na conta: o governo optou por não subsidiar o preço da gasolina e do diesel por causa do custo fiscal.
No mercado de trabalho, o INE aponta queda de 7,6% na ocupação da indústria de transformação e de 2,9% entre os assalariados formais. A informalidade está em 26,3%.
O economista Fernando Henrique Lemos Rodrigues, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, diz que o ajuste pesa num momento ruim do cobre. "Ele está freando a expansão dos gastos. Só isso já dá um impacto brutal sobre a economia chilena", afirmou à Agência Brasil. O governo promete cortar 3% das despesas; os dois primeiros informes fiscais registram redução de cerca de 2 trilhões de pesos, 0,6% do PIB.
A leitura do Executivo é outra: os cortes de impostos já aprovados ainda não aparecem nos números, e a recuperação viria no fim do ano. Quem decide a disputa é o próximo dado do INE, o de julho a setembro, que mostrará se o desemprego sobe de novo ou começa a ceder.
Para quem acompanha a agenda liberal na região, o vizinho argentino serve de comparação. A economia da Argentina recuou 1,7% em agosto, como o Resenhando mostrou, e o governo de Javier Milei abriu um programa de demissão voluntária no serviço público.