FMI vê PIB do Brasil a 2,2% em 2026 e 1,9% em 2027, mas põe o país em 8º no ranking mundial
Relatório de outubro corta as duas projeções feitas em julho e atribui a desaceleração aos juros altos; em dólares, o PIB nominal supera Itália e Rússia em 2027
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O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que a economia brasileira cresça 2,2% em 2026 e 1,9% em 2027, segundo o relatório Perspectivas da Economia Mundial, divulgado na noite de segunda-feira, 12. Em valores nominais, em dólares, o Produto Interno Bruto (PIB) do país volta ao oitavo lugar do ranking mundial em 2027.
As duas notícias convivem no mesmo documento e apontam em direções diferentes. O ranking sobe. O ritmo de expansão da economia real desacelera.
O que mudou em relação a julho
Na edição anterior do relatório, publicada em julho, o FMI estimava alta de 2,4% para este ano e de 2,2% para 2027. As duas previsões foram reduzidas. Para 2025, o fundo registra crescimento de 2,3%.
A Agência Brasil informou que os técnicos do FMI atribuem a desaceleração às condições monetárias ainda restritivas, à retirada de estímulos fiscais e às incertezas internacionais. A Selic está em 13,75% ao ano, após o ciclo de cortes iniciado em março, quando a taxa estava em 15%.
A projeção do fundo está acima da estimativa do governo e da do mercado:

O Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, de setembro, reduziu a estimativa de 2,3% para 2,0%. O boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, aponta 1,85% em 2026 e 1,40% em 2027.
Inflação, emprego e contas externas
O FMI espera inflação de 4,4% em 2026 e de 4,1% em 2027, ante 5% em 2025. As duas taxas ficam abaixo do teto da meta, que é de 4,5% (3% com tolerância de 1,5 ponto percentual). O Ministério da Fazenda projeta 4,9% neste ano e 3,8% no próximo. O Focus está em 5,22% para 2026 e 4,30% para 2027, ambos acima do teto.
No mercado de trabalho, o fundo prevê desemprego de 6,2% ao fim de 2026 e de 6,8% em 2027, contra 6,0% em 2025. O dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta direção oposta: a Pnad Contínua do trimestre encerrado em agosto mediu 5,3%, a menor taxa da série para o período desde 2012.
O déficit em transações correntes, que mede o saldo das trocas do país com o exterior, deve recuar de 2,9% do PIB em 2025 para 2,4% em 2026 e 2,0% em 2027, de acordo com a base de dados do FMI, conforme levantamento do g1.
Como o Brasil chega ao oitavo lugar
O ranking compara economias em dólares correntes, sem descontar a inflação. O g1 calculou, com base na tabela do FMI, que o PIB brasileiro alcançará US$ 2,796 trilhões em 2027, contra US$ 2,772 trilhões da Itália e US$ 2,675 trilhões da Rússia. Em 2026, o Brasil ocupa a décima posição, com US$ 2,655 trilhões, atrás da Rússia (US$ 2,861 trilhões) e da Itália (US$ 2,702 trilhões).
A vantagem sobre os italianos em 2027 é de cerca de US$ 24 bilhões, menos de 1% do PIB da Itália. Como a comparação é em dólares, o resultado depende também do câmbio embutido nas projeções, e não só do crescimento real.
| Posição em 2027 | País | PIB nominal (US$ trilhões) |
|---|---|---|
| 1º | Estados Unidos | 34,44 |
| 2º | China | 22,94 |
| 3º | Alemanha | 5,66 |
| 4º | Índia | 4,52 |
| 5º | Reino Unido | 4,49 |
| 6º | Japão | 4,47 |
| 7º | França | 3,65 |
| 8º | Brasil | 2,80 |
| 9º | Itália | 2,77 |
| 10º | Rússia | 2,68 |
O Brasil foi a oitava economia pela última vez em 2017. A melhor colocação da série é o sétimo lugar, em 1995 e de 2010 a 2014. Pelas estimativas do FMI, o país fica na oitava posição até 2031, último ano projetado, quando o PIB nominal chega a US$ 3,398 trilhões. A marca de US$ 3 trilhões é cruzada pela primeira vez em 2029, com US$ 3,056 trilhões. Já em 2026 o PIB nominal de US$ 2,655 trilhões supera o recorde anterior da série, de US$ 2,614 trilhões, registrado em 2011.
As tabelas por país estão na base Perspectivas da Economia Mundial, no site do FMI. Sobre os juros que o fundo cita como principal freio, o portal publicou o corte de 0,25 ponto da Selic em agosto. O ponto de partida da atividade está no Monitor do PIB da FGV para o segundo trimestre.