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Senado debate na terça a memória do holocausto cigano

Audiência da Comissão de Direitos Humanos foi requerida por Damares Alves e reúne pesquisadores e lideranças ciganas

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado realiza nesta terça-feira (4), às 14h, audiência pública sobre a memória do holocausto cigano, também conhecido como Porajmos. O debate foi requerido pela presidente da comissão, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), e consta da pauta divulgada pela Agência Senado em 31 de julho.

Segundo a parlamentar, estima-se que entre 220 mil e 500 mil ciganos tenham sido mortos pelo regime nazista e seus aliados durante a Segunda Guerra Mundial. Damares afirma que, apesar da magnitude da tragédia, a memória das vítimas ciganas permaneceu por décadas à margem do debate público e dos esforços de memorialização.

No Brasil, o debate sobre o holocausto cigano ainda é incipiente, e o enfrentamento ao anticiganismo (forma específica de racismo e perseguição étnica contra os povos ciganos) permanece como um desafio estrutural para as políticas públicas de direitos humanos, igualdade racial e memória histórica.

Além do extermínio de ciganos, estão na pauta do debate o enfrentamento ao anticiganismo e ao antissemitismo, as perseguições étnicas e a necessidade de preservação da memória histórica das vítimas do nazismo.

Quem participa

Foram convidados para a audiência Aline Miklos, gerente de Advocacy, Assuntos Governamentais e Litígio Estratégico do Instituto Vladimir Herzog; Carlos Reiss, coordenador-geral do Museu do Holocausto de Curitiba; e Igor Shimura, cientista social, professor universitário e presidente do Instituto PluriBrasil.

Também participam Hayanne Iovanovitchi, fundadora do Coletivo de Mulheres Ciganas do Brasil, idealizadora do Museu Virtual de Memórias da Imigração Cigana em Curitiba e coordenadora da Política de Povos e Comunidades Tradicionais da Secretaria de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa do Paraná; Marcos Toyansk, coordenador do Grupo de Estudos Ciganos do Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação da USP; e um representante do Coletivo Cigano Juntos Somos Mais Fortes.

O termo Porajmos, cunhado pelos próprios ciganos, significa literalmente devoração e descreve a tentativa do regime nazista de exterminar o grupo étnico-cultural. A perseguição foi reconhecida oficialmente pela Alemanha apenas décadas depois do fim da guerra, e o memorial de Berlim às vítimas sinti e roma foi inaugurado em 2012.

Como acompanhar

O evento é interativo. Qualquer pessoa pode enviar perguntas e comentários pelo telefone da Ouvidoria do Senado, 0800 061 2211, ou pelo Portal e-Cidadania. As mensagens podem ser lidas e respondidas ao vivo por senadores e debatedores. O Senado oferece declaração de participação, que pode ser usada como atividade complementar em cursos universitários.

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