Eleições 2026

Renan Santos critica o Ministério da Prosperidade proposto por Flávio Bolsonaro

Presidente do Missão associou a ideia ao discurso de Pablo Marçal; plano de governo do PL prevê corte de ao menos dez ministérios

Neste texto3 tópicos
  1. O que Flávio disse sobre a pasta
  2. As críticas de Renan
  3. Onde está o voto do Missão

O presidente do Missão, Renan Santos, criticou neste domingo, 11, a proposta de Flávio Bolsonaro (PL) de criar o Ministério da Prosperidade caso seja eleito presidente. Em vídeo nas redes sociais, de 2min36s, Renan ligou a ideia ao discurso do empresário Pablo Marçal e questionou como a pasta funcionaria. As declarações foram registradas pelo Poder360.

"Vai fundir vários ministérios para criar o Ministério da Prosperidade, que assim o brasileiro vai prosperar. Como? Não explicou. Quais políticas públicas? Ninguém sabe, mas você vai prosperar", disse Renan.

O Missão não tem candidato no 2º turno, que será disputado por Flávio e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 25 de outubro.

O que Flávio disse sobre a pasta

Flávio anunciou a proposta no horário eleitoral de sexta-feira, 9. Segundo o Poder360, ele afirmou que o ministério seria voltado a quem deseja estudar, fazer cursos, empreender e obter crédito.

As diretrizes do plano de governo do candidato tratam de qualificação profissional e crédito, mas não mencionam o Ministério da Prosperidade nem esclarecem que órgãos entrariam na nova estrutura. O mesmo documento propõe cortar pelo menos dez ministérios.

As críticas de Renan

Renan chamou Marçal, que disputou a Prefeitura de São Paulo em 2024, de "coach malandro" e ironizou a hipótese de alguém desse segmento comandar um ministério. Disse ainda que Flávio apresentou propostas genéricas ao longo da campanha e classificou algumas como "mera compra de votos", citando uma promessa de distribuição de celulares para mulheres.

O presidente do Missão defendeu que a disputa dê mais espaço a assuntos como exploração de terras raras, instalação de data centers, reindustrialização e desenvolvimento do Nordeste. Sobre os minerais, afirmou que o potencial econômico deve ser avaliado junto com medidas de preservação ambiental.

"Ter qualidade técnica para assumir uma posição devia ser o básico", declarou.

Em tom mais duro, Renan disse que o país entra em "um dos períodos mais negros da democracia brasileira", afirmou que o "Pacto de 88" fracassou e comparou o cenário ao filme "Idiocracy", comédia de ficção científica de 2006 sobre uma sociedade governada por pessoas sem preparo. Também criticou a eleição de influenciadores para cargos públicos.

Onde está o voto do Missão

A fala de Renan chega num momento em que os candidatos fora do 2º turno ainda são disputados. O Resenhando mostrou que Cury, Renan e Caiado somaram 8,7 milhões de votos no 1º turno e que nenhum deles havia declarado apoio, e que o PSD de Ratinho Júnior decidiu apoiar Flávio mas manter o partido neutro. A crítica ao Ministério da Prosperidade, vinda de um candidato que ficou de fora, indica que o apoio do Missão a Flávio não está dado.

A reportagem do Poder360 não traz resposta da campanha de Flávio Bolsonaro às críticas. Os detalhes do ministério, como as pastas que seriam fundidas, não constam do plano de governo divulgado.