Entidades religiosas lançam campanha contra desinformação eleitoral
Iniciativa reúne dez organizações ecumênicas e foi lançada na Catedral Anglicana de Brasília; TSE não integra o grupo
Um grupo de dez organizações ecumênicas lançou nesta quinta-feira, 30, a campanha Boto Fé no Voto, voltada ao combate à circulação de mensagens falsas dentro de comunidades religiosas durante o período eleitoral. O lançamento aconteceu às 19h, na Catedral Anglicana de Brasília, foi aberto ao público e teve transmissão pelas redes sociais das entidades participantes.
A campanha adota o lema "Eu escolho a verdade" e convoca igrejas, comunidades de fé, organizações da sociedade civil, educadores e comunicadores a discutir o papel da informação nas eleições deste ano. Entre as ações previstas estão rodas de diálogo, formações, materiais educativos, vídeos, podcasts e conteúdos digitais.
Quem está por trás da iniciativa
Integram o grupo o Coletivo Bereia, o Coletivo Novas Narrativas, a Cáritas Brasileira, o Fé no Clima/Iser, a Diaconia, a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, a Misereor e a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese).
"Fé e cidadania caminham juntas quando vividas com responsabilidade, verdade e respeito ao próximo", afirmou Sônia Mota, diretora executiva da Cese, no lançamento.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não integra o grupo de organizações responsáveis pela campanha. A corte mantém frente própria sobre o tema, com acordos firmados diretamente com plataformas digitais e prazo até 16 de agosto para que elas apresentem planos de risco eleitoral.
O que não foi informado
As organizações não divulgaram o orçamento da campanha nem as fontes de financiamento das ações. Também não foi apresentado o critério metodológico que vai separar checagem de fatos de avaliação sobre conteúdo político, ponto sensível quando a triagem envolve declarações de candidatos e temas de costumes que circulam em igrejas.
A definição desse critério é o que distingue uma iniciativa de verificação de uma de arbitragem de opinião. Sem o parâmetro público, fica a cargo de cada entidade decidir o que classifica como desinformação, em ano eleitoral e dentro de comunidades que concentram parcela relevante do eleitorado.
Orçamento, origem dos recursos e metodologia de triagem não constam do material de divulgação apresentado no lançamento.
A campanha entra em um terreno já disputado. O calendário eleitoral de 2026 traz regras específicas sobre impulsionamento de conteúdo e obrigação de rotular material produzido por inteligência artificial, e a fiscalização desses pontos cabe à Justiça Eleitoral, não a entidades privadas. Iniciativas da sociedade civil atuam no campo da orientação, sem poder de remoção de conteúdo.
Comunidades religiosas são alvo recorrente de disputa eleitoral no Brasil, em especial as evangélicas, que somam parcela expressiva do eleitorado e concentram redes de mensagens privadas de difícil rastreamento por órgãos de fiscalização.